Herculano – outra vítima do Vesúvio – Itália

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Herculano – outra vítima do Vesúvio – Itália
   

Herculano (em latim: Herculaneum e em italiano: Ercolano) era uma antiga cidade romana na região italiana da Campânia, província de Nápoles.

Ficou muito conhecida por ter sido conservada, junto com a cidade de Pompeia, depois de ter sido soterrada pelas cinzas da erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.

Apesar de ser menor que sua vizinha Pompeia, Herculano era muito mais próspera.

Para entender a diferença entre as cidades vizinhas que foram atingidas pelo vulcão:

Os danos da erupção, contudo, marcaram de maneira diferente a história das duas cidades.

Em Pompeia, apenas uma camada sutil e díspar dos materiais eruptivos (6 metros de cinzas e lapilli) cobriu a cidade, impedindo que novas construções fossem realizadas sobre ela.

Em Herculano, por outro lado, a erupção resultou em uma grossa crosta de tufo vulcânico (com espessura variada entre 16 e 25 metros) que permitiu a edificação de um novo centro, a cidade de Resina, que adotou o antigo nome da cidade em 1969.

Sitio Arqueológico de Herculano com a cidade atual acima da cidade soterrada e ao fundo o vulcão Vesúvio.

 

A posição geográfica dessas três cidades da Campânia é a principal explicação para os diferentes modos de como a erupção agiu sobre elas.

Herculano localizava-se na ladeira ocidental do Vesúvio e foi atingida, devido a essa grande proximidade, pela lava do vulcão precedida por uma nuvem ardente de cerca de 400º C de temperatura, o que não possibilitou sequer a tentativa de fuga de seus habitantes.

A cidade foi, portanto, a mais fatalmente atingida pela erupção.

Escavações em Herculano

Em consequência disso, somente após o século XVIII, por meio de escavações fortuitas, os primeiros vestígios da antiga cidade de Herculano começaram a ser encontrados.

Muitos objetos antigos foram descobertos, em 1709, durante as obras de restauração de uma mansão, propriedade de um general do exército do Reino de Nápoles, um príncipe austríaco chamado Elboeuf.

Sua paixão por colecionar vestígios arqueológicos levou o general a intensificar as escavações, adquirindo um grande número de obras de valor inestimável, pertencentes todas elas ao teatro da antiga cidade.

Escavações regulares começaram somente após 1738, por ordens do rei Carlos III, como parte de sua política de proteção aos tesouros arqueológicos da Campânia.

Muralhas escavadas no Sitio Arqueológico de Herculano

Essa campanha de escavações continuou até 1766, quando seus responsáveis passaram a aplicar o sistema de “escavações por túneis”, similar ao das minas, em virtude da dificuldade de perfurar o espesso banco de material vulcânico.

Esse sistema de escavação resultou na descoberta de alguns edifícios que rodeavam o Fórum, as habitações do Cardo III e a Vila dos Papiros.

No entanto, por conta das dificuldades subsequentes em perfurar o material vulcânico, as atividades foram encerradas por um longo período e foram retomadas apenas em 1828, por meio de escavações “a céu aberto”, como já ocorria em Pompeia.

Fontes de água comuns na ruas da Itália, costume desde a antiguidade – Sitio Arqueológico de Herculano

Durante todo o século XIX, as atividades sofreram novamente diversas interrupções – e inclusive, correram o risco de serem abandonadas em 1875 pela recusa de proprietários das imediações do sítio arqueológico em autorizar a continuidade dos trabalhos.

Em 1927, lideradas por Amadeo Maiuri e, mais tarde, por Alfonso De Franciscis, as escavações ganharam um novo e definitivo impulso.

Também foi nesse momento que pesquisadores passaram a utilizar critérios científicos de escavação mais modernos, o que lhes possibilitou, pela primeira vez, anunciar a verdadeira fisionomia da antiga Herculano.

Rua da cidade no Sitio Arqueológico de Herculano

Na última fase do século XX, especialmente durante os anos 80, foi inaugurada uma nova campanha de escavações, com métodos ainda mais meticulosos e inovadores, levando os arqueólogos a novas descobertas, localizadas, sobretudo, na área de frente para o mar.

Sitio Arqueológico de Herculano

Da mesma forma, foi nessa campanha que o entendimento sobre a população da cidade foi ampliado.

As escavações anteriores haviam descoberto apenas uma dezena de restos humanos, o que levou os estudiosos a acreditarem que a maior parte da população, estimada em cerca de 4500 pessoas, havia conseguido escapar.

Contudo, no decurso das escavações de 1982, foram encontrados na área da antiga praia, dentro das chamadas fornices – espaços utilizados para o armazenamento de embarcações –, 270 corpos humanos.

O trabalho continua e Herculano continua sendo escavada e muitos objetos estão sendo encontrados.

Vila dos Papiros
As construções estão muito bem preservadas, o que torna a experiência de conhecer a cidade fantástica!

Aliás, o fato de a cidade ter sido coberta com um manto de lava incandescente, explica o estado quase perfeito de conservação dos restos mortais de seus moradores e a conservação de materiais orgânicos como a madeira dos móveis, tecidos e os preciosos papiros, intactos, encontrados em uma vila.

A Vila dos Papiros era a antiga sede de uma biblioteca, e continha manuscritos romanos salvos das ruínas entre 1752 e 1754.

Os papiros são mantidos em lugares como a Biblioteca Nacional de Nápoles, a Academia Francesa de Ciências de Paris , a Bodleian Library em Oxford e a British Library em Londres.

Entre as preciosidades encontradas em Herculano, há afrescos e mosaicos, estátuas, tendas de mercados e vilas.

A grande diferença entre Herculano e Pompeia, é que em Herculano havia também um ‘subsolo’, que, assim como o andar principal, está muito bem conservado.

Vila dos Papiros – Herculano

Pavilhão de barcos
Além das áreas arqueológicas, você também pode visitar o pavilhão de barcos Herculano, o único encontrado sob a lava no que era o antigo porto da cidade.

Segundo a reconstrução histórica, o navio apresentado ali era o único na costa que não navegaria no dia da tragédia.

Estudiosos dizem que ele estava no porto para reparos, já que, provavelmente, apresentava problemas.

Casas de barcos – Herculano

Interessante frisar que os habitantes ricos da cidade, que era, em sua maioria, uma cidade da aristocracia romana, foram em grande parte salvos, navegando para longe dali, e segundo recentes estudos, descobriu-se que apenas os mais pobres, principalmente escravos, não conseguiram escapar a tempo.

 

Recomenda-se o agendamento com agentes especializados.

COMO CITAR:

Para citar esta página do História das Artes como fonte de sua pesquisa utilize o texto abaixo:

IMBROISI, Margaret; MARTINS, Simone. Herculano – outra vítima do Vesúvio – Itália. História das Artes, 2021. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/herculano-outra-vitima-do-vesuvio-italia/>. Acesso em 03 Dec 2021.

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