Outros cubistas: Gleizes e Metzinger

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Outros cubistas: Gleizes e Metzinger

A adesão de Albert Gleizes e Jean Metzinger ao cubismo se dá por volta de 1910; no ano seguinte, expõem no Salão de Outono. as em 1912, quando publicam a obra teórica Du cubisme, que seus nomes ganham evidência. Nesse livro, que é a primeira importante obra teórica sobre o movimento, pretendem situá-lo em face ao desenvolvimento da pintura e traçar as normas de sua evolução futura.

Denunciam a degeneração impressionista (que consideram uma pintura de meras sensações sem qualquer estrutura) e exaltam o surgimento do cubismo, com seus quadros de composição angulosas, cinzentos e ascéticos. Como observa Guillaume Janneau, a visão intelectualista de Gleizes e Metzinger não apenas se opõe à espontaneidade impressionista, como à própria sensualidade da pintura, contra a riqueza da cor.

Embora toquem em algumas questões essenciais do cubismo, a sua teoria é empobrecedora da experiência cubista autêntica que longe de submeter-se a regras racionais, buscou uma estruturação nova da linguagem pictórica, capaz de expressar a complexidade da experiência perceptiva e ao mesmo tempo estimular a inventividade e a criação.

As ideias de Gleizes e Metzinger são de fato a tentativa de apropriação teórica, de racionalização, da experiência cubista verdadeira. Eles pertencem ao grupo de pintores menores que aderiram ao cubismo, a exemplo dos que vieram depois como André Lhote, Louis Marcoussis e Roger de La Fresnaye.

Deve-se considerar, porém, que, se estes últimos pintores são menores em comparação com Picasso, Braque, Gris, Delaunay e Léger, não podem ser situados todos no mesmo nível. Conhecidos como “os cubistas franceses” marcaram uma espécie de fase mundana do cubismo.

André Lhote é o representante típico desse grupo que, do cubismo, possui apenas as características exteriores. Trata-se, quase sempre, da aplicação superficial de certos esquemas formais que, se na obra de Braque e Picasso eram produto e sinal de uma descoberta, em Lhote são um processo de estilização.

Louis Marcoussis, que absorveu a influência de Juan Gris sem adotar-lhe o procedimento rigoroso, dava grande importância à pasta pictórica, à matéria e com isso buscava talvez compensar a dureza a linguagem cubista, adaptando-a assim à sua personalidade pouco afeita aos princípios rígidos. Isso está evidente em seus quadros como no seu modo de encarar a arte, dando pouca importância às teorias e valorizando a fantasia e a intuição.

Roger de La Fresnaye era um artista bem mais dotado que Lhote, muito embora, por morrer cedo, não teria deixado uma obra madura e ampla. Ainda que preso à figura, soube juntá-las às formas geométricas de modo a criar um espaço poético que nada tem do espaço naturalista e onde a figura humana entra menos com o intuito de imitação do que para emprestar sentido a esse espaço novo.

“Não existe nenhuma arte abstrata. Tem que se começar sempre com algo. Depois podem-se afastar todos os vestígios do real. Então não existe qualquer perigo, pois que a ideia da coisa deixou entretanto um sinal indelével. É aquilo que originariamente pôs o artista em andamento, estimulou as suas ideias, animou seus sentimentos. Ideias e sentimentos serão por fim prisioneiros dentro do seu quadro.” Pablo Picasso

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