Vamos Garatujar

Vamos Garatujar

O professor que conhece cada etapa dos “rabiscos” infantis, irá com mais propriedade acompanhar o desenvolvimento de cada aluno e a necessidade de estímulos para que o mesmo aconteça naturalmente.

Etapa da Garatuja

Entre 18 e 24 meses, a criança começa a rabiscar ou garatujar e se surpreende ao ver que o movimento de sua mão agarrada a um lápis deixa um traço ou sinal no papel até então branco.

Ela desenvolverá suas garatujar em papéis se lhe apresentarmos tal material, caso contrário, utilizará moveis, paredes e o próprio corpo para satisfazer esta necessidade.

Oferecer papeis, de preferência brancos, folhas grandes, lápis de cera, canetas hidrográficas, pinceis grossos, tintas espessas com pouca variedade de cores é dar oportunidade para que a criança se inicie no processo de expressão que nesta fase, tem caráter simplesmente sinestésico.

Os primeiros traçados de linhas sobre o papel constituem um passo muito importante do desenvolvimento infantil, pois representam o início da expressão que conduzirá a criança ao desenho, à pintura e também à escrita.

A maneira como as garatujar forem recebidas pelos pais ou professores terá uma grande influência no desenvolvimento da criança.

De modo geral, passam de uma garatuja desordenada para uma controlada, não somente quanto ao aspecto motor, como também quanto ao visual, a que se segue a etapa de atribuir nomes às realizações.

Embora varie de criança para criança, a etapa da garatuja pode acontecer, mais ou menos até os 3 anos e meio ou 4 anos.

Garatuja desordenada:

  • os traçados não tem sentido, são incontrolados e desordenados, com variações em comprimentos e direção;
  • não há controle viso motor preciso sobre a ação de produzir os rabiscos, que são feitos muitas vezes sem que a criança olhe par ao papel;
  • o lápis é segurado de maneiras diferentes;
  • não há intenções de representação;
  • a criança tem dificuldade  de permanecer nos limites da folha;
  • não há preocupação com a cor;
  • a criança necessita sentir o reforço dos adultos.
Garatuja desordenada
Garatuja desordenada

Garatuja ordenada:

  • a criança já tem controle viso motor;
  • ela descobre ligação entre seus movimentos e os traços que faz no papel e esta descoberta a estimula a variar seus movimentos;
  • os traçados geralmente são amplos e vigorosos, podendo ser longitudinais (vertical, horizontal, inclinado) ou circulares;
  • ocasionalmente a criança usará cores diferentes;
  • ela sente prazer em preencher toda a folha e ensaia variedade de modos de segurar o lápis;
  • o domínio, ao dirigir os movimentos, dá-lhe prazer e confiança;
  • o adulto deve compartilhar da alegria da criança em garatujar.
Garatuja ordenada
Garatuja ordenada

Garatuja nominada ou identificada:

  • a criança passa a fazer a ligação entre seus movimentos e o mundo que a rodeia, daí a atribuição de nomes às garatujas;
  • ela muda do pensamento sinestésico para o imaginativo, pondo intenção no que desenha. Isso não a impede de desfrutar o movimento físico, principalmente quando recebe um novo material de desenho, o que é por ela explorado em todas as suas possibilidades;
  • a descrição verbal dos rabiscos será muitas vezes uma comunicação da criança consigo própria, sem ligação com a representação visual, o mesmo rabisco poderá ter atributos descritivos diferentes;
  • as crianças necessitam de que seus pais e professores demonstrem confiança, compreensão e entusiasmo por esse novo modo de pensar, sem, no entanto, forçá-las a dar explicações sobre o que desenham.
Garatuja nomeada ou identificada
Garatuja nomeada ou identificada

A garatuja é, para a criança, tão natural como a necessidade de alimentar-se ou de dormir; para o adulto, porém, não tem esse sentido.

Isso pode ser comprovado pelo fato de muitos pais guardarem os desenhos de seus filhos, e poucos fazerem com as garatujas, registros gráficos que refletem um momento muito importante da vida infantil.

Nunca se deve interromper ou proibir essas manifestações, que levam a um amadurecimento e desenvolvimento em correspondência com o ritmo próprio de cada criança.

Geralmente, nas primeiras fases da garatuja, nenhuma motivação especial se faz necessária, exceto a de proporcionar à criança os materiais adequados citados anteriormente e deixar que ela se expresse.

Como durante essa etapa a criança precisa sentir e experimentar sensações sinestésicas, os materiais utilizados devem favorecer essa necessidade, sem apresentar dificuldades técnicas.

A argila, a massa de modelar, sucatas são excelentes materiais para essa etapa, propiciando ricas experiências táteis e de volume.

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