Cabeça de Medusa – Caravaggio

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Cabeça de Medusa – Caravaggio

A lenda que serviu de inspiração para Caravaggio criar a obra:

Conta a lenda que Medusa, uma das três irmãs Górgonas (as outras duas eram: Esteno e Euríale), petrificava com o olhar todo aquele que olhasse para ela, mas o herói Perseu usou um artifício para enganá-la.

Assim que se aproximou do monstro, usou o seu escudo como espelho.

Medusa, ao ver seu rosto refletido no escudo, ficou transtornada diante de tamanha aberração, lançando um grito dilacerante.

Uma vez hipnotizada, Perseu cortou-lhe a cabeça com a espada de um só golpe, mas ela ainda continuou consciente.

A seguir, tomou a cabeça da besta mitológica e a colou num escudo, como arma, pois seu olhar serviria para transformar os inimigos em pedra.

Na Antiguidade Clássica, a imagem da cabeça da Medusa aparecia no Gorgoneion, objeto utilizado para afugentar o mal.

Michelangelo Merisi Caravaggio, considerado o maior representante do estilo barroco, foi mestre na arte de manipular o jogo de luz e sombra, que confere um enorme grau de complexidade à sua obra.

São poucos os quadros de Caravaggio, que sobreviveram até os dias de hoje, 62 ao todo, e alguns deles ainda passam por avaliação de especialistas para que o período de produção e as condições em que foram realizados sejam comprovados.

Caravaggio pintou duas versões da cabeça da Medusa.

A primeira em 1596 e a segunda, presumivelmente, em 1597/8.

A primeira versão é também conhecida como Murtula, devido ao poeta que escreveu sobre ela.

Foi encontrada no estúdio do pintor somente depois de sua morte.

O Obra:

Cabeça de Medusa ou simplesmente Medusa é uma das obras-primas do pintor Caravaggio, que tomou como modelo o amigo Mario Minniti (embora digam alguns que se trata do próprio rosto do pintor) para pintar a Górgona vertendo sangue abundantemente, logo após ter a cabeça decepada por Perseu, segundo o mito grego.

O retrato de Medusa era muito usado nas armaduras e nos escudos dos guerreiros dos séculos 16 e 17, pois na mitologia grega é tida como a deusa da estratégia e da guerra justa e, também, da sabedoria, de modo que esta obra nasceu como um escudo de desfile.

O cardeal Francesco Maria del Monte, protetor de Caravaggio, presenteou Fernando I de Medici com a obra, provavelmente para a sua coleção de armas, que foi mostrada pela primeira vez em 1598, causando grande impacto nos que a viram, sendo, inclusive, comentada em versos.

Caravaggio, inteligentemente, repassa ao observador a ilusão de que a cabeça de Medusa deixa a tela para se projetar no espaço real em que ele, o observador, encontra-se, de modo que o escudo convexo ilusoriamente transforma-se em côncavo.

Tem-se a impressão de que a tela é feita em 3D.

Embora o retrato da Górgona seja de origem clássica, Caravaggio recria uma nova Medusa, extremamente realista, cuja força de expressão continua impressionando quem a observa, pois sua cabeça decepada parece ganhar vida própria, com suas serpentes contorcionistas.

O que mais chama a atenção na obra Cabeça da Medusa é seu realismo: os olhos saltando da órbita, os dentes cortantes à mostra, a boca aberta e imóvel, soltando um grito silencioso e o sangue vivo jorrando de sua cabeça, não deixando qualquer dúvida sobre o mito da mulher de cabeleira de serpentes, que transformava homens em pedra, só pelo olhar, mas que foi derrotada por Perseu, ao mirar o escudo espelhado e ser vítima de sua própria arma letal.

A dramaticidade encontrada nas obras de Caravaggio dá-se pelo uso da técnica do chiaroscuro, em que o pintor trabalha com os contrastes de luzes e sombras, gerando um resultado bastante peculiar.

Dizem que a obra foi responsável por ferir a sensibilidade de muitos críticos de arte da época, sendo considerada a obra mais sangrenta do pintor.

Técnica: óleo sobre tela colado sobre escudo
Estilo: Barroco
Acervo da Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

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