A Igreja de Cagnes, Renoir

A Igreja de Cagnes, Renoir
   

Esta paisagem, pintada em 1905, representa a igreja de Cagnes, pequeno povoado da Costa Azul francesa, próximo a Antibes. Este foi o lugar onde a família Renoir estabeleceu definitivamente sua residência devido ao cálido clima daquele lugar. Clima que o pintor necessitava para combater a grave artrite reumática que padecia e que lhe causava terríveis dores. Eles viveram primeiro no edifício dos correios, antes de que o pintor mandasse construir uma casa – Les Colletes – em um espesso olival que se tornou seu ateliê ao ar livre nos seus últimos anos de vida. Os turistas que transitavam por ali lhe incomodavam quando ele pintava, porque o porteiro do hotel recomendava a visita ao célebre artista.

Nesse mesmo ano ele expôs cinquenta e nove quadros em Londres e participou como presidente de honra no Salão de Outono de Paris. Naquela época o número de seus admiradores aumentava sem cessar e começava a aparecer frequentes falsificações de suas obras.

Esta é uma das poucas paisagens que Renoir pintou na sua época tardia. Paisagem que surpreende pela técnica tão diferente que ele utiliza e que quase não tem nada que ver com outra paisagem realizada no mesmo ano: Terraço em Cagnes.

Nesta obra, não se encontra o habitual tratamento que se observa em suas pinturas de assunto humano. Aqui desapareceu o tapete de cores e formas sem clara definição. Em seu lugar, ele utiliza uma linha de desenho clara e delimitada com a qual ele resolve o volume da igreja e o cipreste, tornando, estes dois motivos, protagonistas da composição. As pequenas figuras humanas que aparecem estão somente esboçadas.

Também se observa uma mudança na utilização das cores, dispostas com um pincel sereno e preciso com o qual ele pinta as superfícies por meio de tons planos que recorda a técnica dos pintores de Pont Aven, como Gauguin, que Renoir conheceu nos verões que passou nesta localidade.

Renoir nunca se sentiu atraído pela paisagem com a mesma paixão que pela representação da figura humana. Durante sua etapa impressionista ele se dedicou a ela com maior interesse do que o faria durante o resto de sua carreira artística.

Mas apesar disto, ele conseguiu em obras como esta e em outras paisagens que realizou, tanto em Cagnes, como em outras localidades do sul francês, nas quais passou algumas temporadas, umas imagens em que plasmou com acerto o encanto destes pequenos povoados costeiros com essa luz e esses céus de azul intenso próprios do mediterrâneo.

Sem dúvida, essa visão relaxada e alegre que o pintor refletiu em obras como esta deve ter influído nos pintores fauvistas do círculo de Matisse, que levariam este tipo de paisagem até as últimas consequências e que sem dúvida encontraram em Renoir um exemplo a seguir.

Igreja de Cagnes,1905, óleo sobre tela, Pierre-Auguste Renoir.

pincelAgora que você sabe mais detalhes sobre essa obra de Renoir, experimente desenvolver sua releitura sobre o tema ou crie uma paisagem ensolarada, usando o material colorido que você mais gostar.

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COMO CITAR:

Para citar esta página do História das Artes como fonte de sua pesquisa utilize o texto abaixo:

IMBROISI, Margaret; MARTINS, Simone. A Igreja de Cagnes, Renoir. História das Artes, 2021. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/igreja-cagnes-renoir/>. Acesso em 18 Jun 2021.

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