O Despertar da Consciência, Willian Holman Hunt

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O Despertar da Consciência, Willian Holman Hunt

Hunt é um mestre menor da escola inglesa, mas esta obra é um belo exemplo do tipo de pintura que foi muito popular na Inglaterra vitoriana. É uma tela narrativa; o tema, muito explorado na literatura e também na pintura oitocentista, é o destino da mulher decaída.

É uma cena doméstica, um interior que comenta a sociedade da época e exibe muitos detalhes que devem ser lidos simbolicamente. Aqui a mensagem moral é de severa desaprovação.

Quadros assim, pintados com meticulosos detalhes, sobre pesados temas moralizantes ou sentimentais, eram produzidos por pintores em toda a Europa e desfrutavam de enorme popularidade junto ao público e aos colecionadores.

A moça olha pela janela para o jardim ensolarado, refletido no espelho atrás. A luz representa Jesus Cristo como Luz do Mundo, título de outro quadro que acompanhava este. A luz representa a salvação. Note as rosas brancas no jardim, símbolos tradicionais da pureza.

O jovem rico e bem-vestido está com sua amante, que ele aloja numa casa confortável e moderna, visitando-a quando lhe apraz.

O chapéu na mesa indica que ele é um visitante, não um morador permanente da casa.

O gato debaixo da mesa brinca com  passarinho. Talvez haja aqui um duplo sentido. Embora o gato simbolize, sem dúvida, o homem que faz sua amante de joguete; o pássaro, que representa a moça, parece estar escapando, sugerindo assim que a salvação é possível para ela.

Uma luva branca suja, jogada no chão, simboliza o destino da moça se ela continuar com seu amante.

A postura da mulher indica que ela está prestes a levantar-se do colo do seu amante. É o momento exato em que sua consciência despertou. Seu namorando continua cantando e tocando piano, totalmente alheio a transformação ocorrida.

A flor no vaso é uma campânula; entrelaçada com outras plantas, ela simboliza as relações complicadas da mulher. Os fios de lã emaranhados ao pé do piano têm o mesmo significado.

O relógio é decorado com a imagem da Castidade segurando Cupido, o deus do amor, o que sugere qe o cavalheiro não satisfará suas vontades perversas. O quadro na parede mostra a história bíblica da mulher adúltera.

Até o desenho do papel de parede está carregado de simbolismo. O trigo e as uvas foram abandonados por Cupido, que dorme ao pé da plantação, de modo que os pássaros podem vir e roubar os frutos. Hunt dá a entender assim que a mulher deve guardar sua castidade como um agricultor guarda seus campos.

A moça mostra as mãos. Há um anel em cada dedo, exceto no que deveria portar uma aliança de casamento. Ela é uma mulher inteiramente dependente do apoio e dos caprichos do rapaz. Se ele a rejeitar, é provável que ela tenha que recorrer à prostituição.

Para conseguir a maior exatidão visual possível, Hunt alugou uma casa em St. John’s Wood, no norte de Londres, área onde os ricos mantinham suas amantes. O modelo para a moça foi Annie Miller, jovem namorada de Hunt.

O Despertar da Consciência, 1853, óleo sobre tela, 76 x 55 cm, William Holman Hunt, Tate Gallery, Londres.

Agora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Hunt, experimente fazer uma releitura dele ou criar uma cena narrativa e enriquecida de detalhes, usando o material colorido que mais gostar.

Fotografe seu trabalho e compartilhe sua experiência nas redes sociais, usando a #historiadasartestalento

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