Daniel Senise

Daniel Senise

Daniel Senise Portela nasceu no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro em 1955. Pintor e gravador. Em 1980, ingressa como aluno na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), onde, entre 1986 e 1991.

Leciona no Núcleo de Pintura. Estuda com John Nicholson e Luiz Aquila , e participa da exposição “Como Vai Você Geração 80?”.

Realiza sua primeira exposição individual na Galeria do Centro Empresarial Rio, em 1984, e, no mesmo ano, integra o Ateliê da Lapa, com Angelo Venosa, Luiz Pizarro e João Magalhães .

No início da carreira, Senise produz obras com paisagens povoadas por formas volumosas, que ocupam a quase totalidade da tela. Esses objetos impõem-se como presenças monumentais, mas são vazios de conotações temáticas.

Seu reconhecimento ocorre em 1985, ao ser apresentado, com outros artistas, na Grande Tela da 18ª Bienal Internacional de São Paulo.

No ano seguinte, recebe medalha de ouro na 1ª Bienal Latino-Americana de Arte sobre Papel.

Em 1997, atua como coordenador das galerias do Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro.

Em 1998, é publicado o livro Daniel Senise: Ela que não Está, pela Cosac & Naify, com textos de Ivo Mesquita, Dawn Ades e Gabriel Pérez-Barreiro.

Em 2002, o livro The Piano Factory, pela Andrea Jakobsson Estúdio Editorial, com textos de Agnaldo Farias e Alexandre Mello sobre a produção mais recente do artista.

Realiza exposições individuais como Daniel Senise (2009), na Estação Pinacoteca, São Paulo, Daniel Senise (2010), Gallery 32, em Londres e Neste Lugar, na Galeria Vermelho (2014), São Paulo

Participa, desde então, de importantes exposições nacionais e internacionais. O artista mantém ateliê no Rio de Janeiro e em Nova York.

Como observa o crítico Fernando Cocchiarale, a pintura de Senise caracteriza-se pela ambiguidade – o artista revela e oculta, ao mesmo tempo, imagens de objetos que se aproximam daqueles cotidianos, mas não podem ser facilmente identificados. A dramaticidade de suas obras iniciais é determinada pela forma como ele articula as imagens com um tratamento volumétrico vigoroso e uma gama cromática soturna, como ocorre em Coração ou em Sax (ambas de 1985).

A partir da metade da década de 1980, a figura não é mais tão determinante em suas telas e o uso da cor diversifica-se.

O artista passa a adicionar registros da impressão de elementos extrínsecos a sua obra. Em muitos trabalhos, prepara a tela com pigmentos e a estende, ainda úmida, sobre o piso do ateliê.

Ao ser descolada do chão, ela retém na superfície a marca, como uma impressão, das rugosidades do piso, incorporando também resquícios de telas anteriores. O quadro é então retrabalhado.

Senise produz um repertório de imagens que parecem desgastadas pela ação do tempo.

A partir de 1989, o artista passa a adotar, entre outros procedimentos, o uso de pregos de ferro, que deixam nas telas as marcas da oxidação.

Em outras obras, emprega tintas prateadas, industriais, porque evocam uma memória distante e a sensação da imagem fotográfica.

As pinturas de Senise estabelecem uma relação direta com a história da arte, com o universo das imagens e a maneira como este é percebido.

Incorporando à tela a rugosidade do piso, objetos de uso cotidiano, pó de ferro, objetos de chumbo ou tecidos como voile, algumas obras apresentam superfícies densamente trabalhadas enquanto outras possuem camadas de tinta quase etéreas.

Para a crítica inglesa Dawn Ades, sua pintura pode ser compreendida em termos de equilíbrio e peso, e de presença e ausência de objetos.

Suas imagens abrem-se a um vasto campo de experiências e evocações materiais e poéticas.

Atualmente, Daniel Senise vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

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