Frans Post – O 1º pintor do Brasil

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Frans Post – O 1º pintor do Brasil

Frans Janszoon Post nasceu na cidade de Haarlem, Holanda, em 1612, sendo filho do pintor de vitrais Jan Janszoon Post e de sua mulher Francyntie Peters, cujo casamento aconteceu em 1604, sendo ambos naturais de Leiden.

Era Frans o terceiro filho do casal, que tinha por primogênito Pieter Post, nascido em Haarlem em 1608, seguindo-se de Anthoni, nascido em 1610, e Johana, a caçula nascida em 1614, pouco antes do falecimento do chefe da família.

Órfão de pai aos dois anos, tendo sua mãe se casado com Harman van Warden em 1620, de quem logo depois se separa, o menino Frans tem no irmão Pieter o seu primeiro mestre.

Pouco se sabe de sua formação acadêmica, somente que criou-se na cidade de Haarlem, uma das mais prósperas da província, Flandres, célebre por suas corporações de artistas.

Pieter Post (1608-1669), o mais velho dos irmãos, vem a ser discípulo do grande Van Campen, um dos mais renomados arquitetos do seu tempo, responsável pela construção da Mauritshuis (Casa de Maurício), em Haia, e frequentador da corte do Príncipe Frederico Henrique. Através dele o jovem Frans é apresentado ao Conde de Nassau, recém-nomeado Governador do Brasil Holandês, que o convida para acompanhá-lo em sua nova missão.

Para registrar as realizações do seu governo, preservar em tela a paisagem e a topografia da conquista, bem como os feitos militares e a arquitetura militar e civil do Brasil Holandês, o Conde João Maurício de Nassau-Siegen contou com os serviços de um jovem pintor de Haarlem, Frans Post (1612-1680), que, juntamente com outro pintor, Albert Eckhout (c.1610 – c.1665), da Groninga, tomou para si a tarefa de registrar todos os pormenores do universo do Novo Mundo de então.

Foi Frans Post o primeiro artista europeu a trabalhar em terras da América, o primeiro pintor acadêmico a documentar em cores a paisagem brasileira.

No Brasil, o jovem Frans Post tornou-se a memória visual do governador, transformando-se numa espécie de cronista da paisagem. Para isso, acompanhou o Conde de Nassau em todas as suas viagens e campanhas militares, chegando até a registrar incursões de esquadras enviadas do Recife para a tomada das cidades de São Jorge da Mina, Forte Nassau, São Paulo de Luanda e ilha de São Tomé, na África.

Por sua vez, ao irmão mais velho do pintor, o arquiteto Pieter Jansz Post, que trabalhava com Jacob van Campen na construção da Mauritshuis em Haia, é atribuído o traçado urbano da Cidade Maurícia, bem como o projeto de alguns empreendimentos desenvolvidos pelo Conde de Nassau no Brasil, a saber: o Palácio de Friburgo, denominado pelos portugueses de Palácio das Torres; a Casa da Boa Vista; a Igreja dos Calvinistas Franceses, “uma réplica em ponto pequeno da Catedral de Haarlem”.

Ao contrário de Pieter Post, o seu irmão Frans Post é constante na documentação da época, chegando a participar da lista de comensais do Conde de Nassau, no Palácio de Friburgo, em 1º de abril de 1643.

O objetivo principal de Frans Post seria a documentação de cidades, vilas, povoações, costumes, construções civis e militares, cenas de batalhas navais e terrestres, que viriam ilustrar um grande relatório das atividades do Governo do Conde de Nassau em terras da América.

Em carta ao então Príncipe João Maurício de Nassau, datada de 10 de dezembro de 1678, relacionando as obras que seriam entregues ao Rei Luís XIV, o encarregado de seus negócios Jacob Cohen faz referência a “18 pequenas paisagens brasileiras em molduras pretas” .

Por esta fonte, chega-se à conclusão que Frans Post pintou pelo menos 18 quadros a óleo retratando a paisagem brasileira durante sua estada de sete anos no Nordeste, de 1637 a 1644. Eram quadros com cerca de 60 x 90 cm., emoldurados em ébano, que foram conservados pelo Conde de Nassau até 1679, pouco antes de sua morte, quando foram presenteados, juntamente com outros quadros e objetos do Brasil, ao rei de França, Luís XIV.

Frans Post continuou pintando a paisagem brasileira mesmo depois do seu retorno à Holanda.

Em maio de 1644, Frans Post já se encontrava de volta à sua terra natal, ocasião em que recebeu do Príncipe Frederico Henrique a importância de 800 florins, pela pintura de uma grande paisagem das Índias Ocidentais.

Em julho do mesmo ano já se encontrava estabelecido em Haarlem, fixando residência da Smeeststraat, iniciando assim a gravação das ilustrações a serem usadas no livro de Gaspar Barleus.

Em 1650, casa-se com Janneteye Bogaert, em 27 de março de 1650, na igreja de Sandvoort, tiveram três filhos: Anthoni, nascido em 1655; Jan em 1656, e Rachel em 1660. Sua mulher, era natural de Haarlem e residia na Koninckstraat. O casamento durou apenas 14 anos, pois em 7 de agosto de 1664 já se encontrava viúvo.

Frans Post morreu em Haarlem, a 18 de fevereiro de 1680 e foi enterrado na Groote-Kerk daquela cidade.

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