Georg Grimm

Georg Grimm

Nasceu em Immenstadt im Allgäu (Alemanha), no dia 22 de abril de 1846 e faleceu em Palermo, no dia 24 de dezembro de 1887  foi um pintor, professor, desenhista e decorador alemão que viveu e trabalhou alguns anos no Brasil.

Johann Georg Grimm, filho de carpinteiro, na juventude trabalha como pastor de cabras e exerce profissões ligadas ao artesanato, entre elas pintura de paredes de residências. Freqüenta a Akademie der Bildenden Künste [Academia de Artes Visuais], em Munique entre 1868 e 1870.

Segundo o historiador Carlos Maciel Levy, é possível que tenha sido aluno dos importantes mestres de Munique Karl von Piloty (1826 – 1886) e Franz Adam (1815 – 1886).

Em 1870, participa como militar da Guerra Franco-Prussiana, ocasião em que se torna amigo do combatente e pintor Thomas Driendl (1849 – 1916), que em 1881 também se transfere para o Rio de Janeiro.

Após uma viagem pela Itália, Grécia, Turquia, Palestina e norte da África, em 1878, Grimm vem para o Brasil.

Ao chegar, trabalha com o decorador alemão Friedrich Anton Steckel pintando paredes de residências.

Em 1882, a Sociedade Propagadora das Belas Artes organiza pela primeira vez uma exposição pública fora da Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, realizada no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Grimm participa com mais de 100 trabalhos, – a maioria pintada fora do Brasil -, que representam cerca de um quarto de todas as obras expostas.
Entretanto, essas pinturas foram perdidas e pouquíssimas são hoje conhecidas.
Segundo Gonzaga Duque (1863 – 1911), crítico contemporâneo ao pintor: “Em duas, três ou cinco horas fazia-se, em frente de suas telas, uma viagem ao redor do mundo.
A natureza dos países em que Jorge Grimm esteve nos aparecia irradiante de luz e de cor, diante dos nossos olhos vadios, acostumados às tintas pálidas, anêmicas, miseravelmente doentias da maior parte de nossos paisagistas”.

Viajava frequentemente para o interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e produz estudos de paisagens e fazendas de café com intuitos documentais. Sua pintura apresenta forte preocupação com a luminosidade e a observação da natureza.
Embora as telas de Grimm representem enorme quantidade de detalhes, a ênfase na descrição não torna sua pintura fria e sem vida.

Com sucesso na exposição, recebe convite para lecionar na Aiba, como professor interino da cadeira de paisagem, flores e animais, cargo que ocupa de 1882 até 1884.

Ao declarar que suas aulas seriam ao ar livre e que os alunos deveriam pintar paisagens diante da natureza, Grimm rompe com o ensino acadêmico.

Pelas crescentes divergências com a diretoria e outros professores, principalmente por causa de sua descrença na metodologia da instituição, sai da Aiba.

Muda-se para Niterói e a partir de então reúne um grupo de artistas, conhecido como Grupo Grimm, com quem pinta ao ar livre.

Do grupo participam alguns alunos da Aiba, entre eles Castagneto (1851 – 1900), Caron (1862 – 1892), Garcia y Vasquez (ca.1859 – 1912), Francisco Ribeiro (ca.1855 – ca.1900), Antônio Parreiras (1860 – 1937), França Júnior (1838 – 1890), além do amigo e compatriota Thomas Driendl, que eventualmente o substitui.

O trabalho de Grimm como professor revoluciona o ensino da pintura de paisagem, mas suas telas, apesar de apresentarem uma profunda compreensão do tema, são relativamente convencionais – como vemos na maneira detalhada e fiel em Vista do Rio de Janeiro Tomada da Rua do Senador Cassiano em Santa Teresa (1883) – e não representam uma mudança tão profunda quanto a de suas aulas.

Isso é perceptível mesmo evitando comparações com pintores europeus impressionistas do mesmo período que também realizam pintura ao ar livre.

Em 1882, com Thomas Driendl, faz a decoração do Liceu Literário Português, no Rio de Janeiro, destruído posteriormente por um incêndio.

Em 1884, na Exposição Geral de Belas Artes, é premiado, com Driendl e Castagneto, com a 1ª medalha de ouro.

Outros alunos de Grimm como Vasquez, Caron e França Júnior também recebem prêmios, o que representa uma grande vitória e consagração do Grupo Grimm.

Três anos depois, já com problemas de saúde por causa da tuberculose, após visitar Parreiras, viaja para a Itália, passa por Tunis e Sicília e chega a Palermo, onde falece.

 

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