Pablo Picasso

Pablo Picasso

Pablo Picasso é considerado o maior artista do século 20. Ainda criança, revelou um surpreendente domínio da linha, da cor e da técnica. Não contava 30 anos quando fundou o movimento cubista, em colaboração com Georges Braque. Em seu trabalho, pintura, escultura, gravura, cerâmica, litografia e mosaico criaram um discurso único. Além da revolução formal, Picasso surpreendeu pela intensidade emocional revelada na força dos temas e em seu inesgotável vocabulário artístico. Dono de uma personalidade em permanente ebulição, foi um homem de fases, o que transparece em sua trajetória.

1881-1900 Os anos de juventude e de formação

A família, a formação acadêmica e a convivência com as vanguardas marcam a trajetória artística de Picasso. A convivência com a mãe, as irmãs, a avó e as tias contribui para o nascimento da curiosidade insaciável do artista pelo mistério feminino, que em suas obras assumiria conotações eróticas.

De Málaga, cidade natal, originam-se temas recorrente: mulheres, touradas, arte, o Mediterrâneo. Em Barcelona, Picasso mergulha no universo da vanguarda e da modernidade, conhece artistas e intelectuais e frequenta o cabaré Els Quatre Gats. Na virada do século, parte para Paris.

1901-1904 Paris-Barcelona. O período azul

Picasso fixou-se em Paris em 1904. Acompanhado do amigo Carlos Casagemas, instala-se num ateliê e começa a expor telas que mostram as tendências artísticas antigas até a influência dos mestres como Delacroix, Manet e Degas. A partir de 1901, a obra de Picasso ilustra bem a sua paixão pela cor em retratos, cenas de rua, de cabarés ou de bordéis parisienses. No outono daquele ano começa o período azul, em que a tristeza e o isolamento são evidenciados pela monocromia. Picasso passa então a representar a iséria e o desespero humanos. O desenho é discreto, severo, pungente. No final de 1904, Picasso conhece Fernende Olivier, sua primeira mulher e fonte de nova inspiração.

1904-1907 Do período rosa a Les Desmoiselles d’Avignon

Nessa fase o amor por Fernande origina muitos desenhos sensuais e eróticos. Com a paixão de Picasso pelo circo, iniciam-se os ciclos dos saltimbancos e do arlequim. Os personagens deixam de ser indivíduos sofridos e passam a ser tipos. Instala-se a serenidade plástica, substituindo o expressionismo anterior. Picasso dá os primeiros passos no território da escultura.

O contato com a paisagem de Gosol, aldeia da Catalunha, e a descoberta da estética de esculturas ibéricas seculares o fazem refletir sobre questões de ordem plástica. Picasso encanta-se com as artes primitiva e africana; começa o flerte com a geometria e a relação de volumes. Inicia-se o trabalho com Les Demoiselles d’Avignon.

1907-1916 Os anos do cubismo

A tela Les Demoiselles d’Avgnon subverteu o sentido da arte moderna. Picasso rompe com tudo o que fora feito até então, abolindo a perspectiva tradicional e sugerindo a terceira dimensão. A linha curva está ausente, os planos assumem encaixe geométrico. Georges Braque torna-se o companheiro na aventura cubista. Na primeira fase do movimento, Picasso cria figuras totêmicas monumentais.

Em 1909, surge o cubismo analítico, com formas decantadas e analisadas por facetas. A cor se reduz a tons de castanho, cinza e bege. Dois anos depois, aparecem elementos recortados e as colagens, conduzindo ao cubismo sintético e às assemblages.

Em 1911, Picasso rompe com Fernande e se apaixona por Eva Gouel, que falece em 1915. Com a declaração de guerra em 1914, chega ao fim a aventura cubista.

1917-1924 O período clássico

Com a Guerra, a vida em Paris fica difícil. Picasso pinta os cenários para o balé Parade e se envolve com o mundodo teatro e da dança. Apaixona-se por Olga Khokhlova, com quem se casa em 1918.

Na Itália, redescobre a arte clássica e suas riquezas. Surgem então homens e mulheres de aspecto monumental.

Trata-se de interrogar o tradicional e vivenciar a passagem para o violência surrealista que se seguirá. As mulheres de Picasso apresentam o rosto vazio; a representação é exagerada e surgem os primeiros ataques ao corpo. Com o nascimento do primeiro filho, Paulo, Picasso cessa de frequentar a boêmia. A desarmonia conjugal e a insatisfação aparecem nas obras com as primeiras marcas das cruéis deformações da década seguinte. Criaturas de pesadelo e mulheres castradoras substituem a serenidade anterior.

1923-1936 As metamorfoses

A partir de 1925, a pintura de Picasso torna-se palco da transgressão formal e moral, invadida pelo erotismo, pela paixão e pela violência sexual. Corpos desmembrados, cores estridentes e espaço asfixiante provocam a incompreensão. Reaparece o tema do touro e das touradas, projetando os desejos de Picasso e expressando sua paixão por Marie-Thérese Walter. Referências mitológicas e o confronto de forças antagônicas povoam as telas.

Em meados dos anos 1930, Picasso adquire o castelo de Boisgeloup, na França, onde se dedica também à escultura. Em 1935, Picasso rompe com Olga e nasce Maya, sua filha com Marie-Thérese. No início de 1936, passa a ter um caso com Dora Maar. Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, um julho, a História faz sua triste entrada na obra do artista.

1937-1953 Os anos da guerra e do pós-guerra

A Guerra Civil Espanhola indtroduziu a política na obra de Picasso. Em Guernica, reação epidérmica do artista ao bombadeiro da cidade basca, cristalizam-se temas como o par touro e cavalo, os corpos desmenbrados, o guerreiro, agora com uma carga simbólica que transforma a tela no emblema da dor.

A Segunda Guerra também inspira imagens de crueldade e morte, naturezas-mortas marcadas pelo despojamento das formas e pelo esmaecimento da cor. Picasso cria então objetos que prenunciam as esculturas em chapa metálca. Finda a Guerra, apaixona-se pro Françoise Gillot, mãe de Claude e Paloma, e redescobre a luz, a fecundidade, o mundo mediterrâneo. Nas esculturas, o artista aproveita tudo o que lhe cai às mãos. Na cidade de Vallauris, trabalha com cerâmica e a subverte para criar peças de uma ousadia ímpar.

1954-1973 Os últimos anos

Em Vallauris, Picasso conhece Jacqueline Roque, musa dos últimos anos. De 1950 a 1962 o artista explora as obras dos grandes mestres como Delacroix, Velázquez, Manet. A pintura torna-se tema de reflexão ao qual Picasso oferece seus próprios elementos de resposta.

Não se trata da apropriação, mas da violação da obra a ponto de torná-la irreconhecível pela incorporação da iconografia pessoal do artista. Picasso cria desenhos, gravuras e pinturas que suscitam o incômodo, a incompreensão. A partir de 1966, seu trabalho é emancipado, persistindo no erotismo.

O artista morre em abril de 1973, ainda antecipando-se ao futuro, abrindo caminhos, numa febre criativa que assemelhava à obstinação.

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