Técnicas artísticas: a gravura

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Técnicas artísticas: a gravura

A gravura geralmente é produzida com objeto cortante ou substância química que cria motivo plástico em superfície de natureza variada – madeira, metal, pedra ou tecido, entre outras. Essa superfície é chamada de matriz e tem a imagem invertida da que será vista na gravura, que é a obra em papel gerada pelo processo de gravação.

O processo de gravação ocorre depois que a matriz recebe camadas de tinta e entra, junto com o papel, em uma prensa, isto é, uma máquina com cilindros que pressiona a matriz sobre o papel. Uma mesma matriz pode gerar mais de uma obra em papel. Cada série de gravuras tem um número de cópias predeterminadas pelo artista, que controla a execução e a legitimidade do trabalho assinando a gravura depois de pronta.

Geralmente, o artista assina o nome no canto inferior direito da obra e, no canto inferior esquerdo, numera o exemplar da gravura, com dois números separados por barra ou travessão. O primeiro número corresponde à posição da gravura na sequência de impressões; o segundo mostra a quantidade de gravuras daquela série. Quando, em vez dos dois números, uma gravura traz no canto esquerdo inferior a abreviação P.A., significa “prova de autor”. Muitas vezes, antes de realizar a série de impressões, o artista faz algumas provas de autor para verificar se o resultado foi o planejado.

Por se tratar de obra em série, a gravura muitas vezes custa menos do que a pintura de um mesmo artista. Isso não diminui o valor artístico do trabalho em gravura, apenas seu valor de mercado. Alguns artistas, como Rembrandt e Albrecht Dürer, têm obras excepcionais em gravura, sendo que o segundo foi predominantemente um gravador. Goya também realizou algumas de suas obras-primas, como as séries Caprichos e Os Desastres da Guerra, usando essa técnica.

Principais tipos de gravura

As diferentes denominações das gravuras referem-se ao suporte utilizado como matriz a ao instrumento que criou o desenho em sua superfície. São elas:

Xilografia: gravação, numa superfície de madeira, feita com buril, uma ponta de ferro geralmente em forma de prisma.

Ponta-seca: grava-se com agulha de ferro ou outro metal em placa de cobre ou ferro.

Água-forte: como o nome sugere, líquido com propriedades químicas, o ácido nítrico, é fundamental nessa técnica. A matriz também é de metal, mas coberta com verniz, depois retirado com ponta-seca nos lugares de desenho. O ácido atua sobre a área desenhada, desgastando-a ainda mais, mas não atua sobre a área envernizada. O artista controla o grau de desgaste da chapa metálica com a quantidade de ácido e com o tempo, em que ele permanece em contato com a matriz.

Litografia: processo baseado na incompatibilidade entre água e gordura. A matriz, uma pedra calcária, em vez de cortada, permanece plana e é impressionada apenas com lápis gorduroso ou pincel com tinta gordurosa, responsável pelas áreas de cor, e com goma arábica, que cria máscaras brancas que preservarão a integridade do papel sem nenhum desenho após a obra ter sido colocada na prensa. Depois que o desenho com tinta gordurosa está seco, aplica-se água à pedra. A umidade é rejeitada pelo desenho, mas é absorvida pela superfície porosa da pedra. Essa é então untada com tinta, que adere só à imagem, pois o resto da pedra está úmido. Passa-se então à prensa e o papel sai impressionado com a imagem invertida do desenho feito na matriz. A litografia proporciona grande liberdade ao criador, que pode administrar as máscaras de goma arábica, impressionando-a com pontas-secas e criando várias camadas de fundo e textura.

Serigrafia: com tecido fino, cria-se a tela, que, impressionada quimicamente, ganha uma máscara vazada com o desenho feito previamente em papel. Esse desenho vira uma espécie de molde, já que a tinta passa pelas áreas vazadas na tela, mas não consegue penetrar nas que permanecem opacas, tratadas quimicamente. Todas as técnicas de gravura permitem a utilização de mais de uma cor, mas é na serigrafia que tal uso se torna frequente. Artistas contemporâneos internacionais, como Andy Warhol e Keith Haring, e também brasileiros, como Cláudio Tozzi e Rubens Gerchman, fizeram ampla utilização dessa técnica.

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