Experiência com um Pássaro em uma Bomba de Ar, Joseph Wright

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Experiência com um Pássaro em uma Bomba de Ar, Joseph Wright

Este quadro de Wright é uma brilhante síntese dos interesses e atitudes típicas de meados do século 18, a Idade da Razão. Um grupo de amigos se reúne numa casa para observar uma dramática experiência científica, que demonstra o poder que o homem pode ter sobre a vida e a morte.

O artista descreve a ampla gama de emoções dos amigos ao reagirem à cena que presenciam. Assim, o quadro personifica as esperanças e temores da época, e ainda oferece material para nossa própria reflexão, agora que enfrentamos tantas mudanças resultantes dos progressos da ciência.

Wright foi um mestre menor, mas aqui ele produziu, sem dúvida, uma obra-prima da mais alta qualidade: tecnicamente bem realizada, visualmente satisfatória e que desafia a moral e o intelecto.

Com um cabelo comprido e esvoaçante e seu longo manto, o cientista visitante se parece um pouco com um mago. Era comum na época um cientista ir a uma casa particular para oferecer uma noitada de entretenimento e instrução a uma família rica.

Em contraste com o fascínio de todos pelo desenrolar da experiência, o artista incluiu uma par de namorados bem-vestidos, que estão cativados apenas um pelo outro e permanecem alheios tanto à experiência quanto às questões científicas e morais levantadas.

Dentro da cúpula de vidro há um pássaro. O pintor pintou uma cacatua branca para obter um efeito mais dramático. Na prática deveria ser um animal mais comum, como um pardal ou um camundongo. Há uma válvula no alto da redoma de vidro. Quando se fecha a válvula e se bombeia todo o ar para fora, a ave ou o animal morre por falta de oxigênio. Esta reação pode parecer obvia para nós, mas em meados do século 18 era uma informação nova para muita gente, que desejava ter uma prova científica. O oxigênio só foi claramente identificado na década de 1770.

O cientista ergue a mão esquerda sobre a válvula, e com a outra faz um gesto para nós, seu público. Ele olha diretamente, como se perguntasse: “devo abrir a válvula para deixar o ar entrar, e o pássaro viver? Ou devo deixá-lo morrer? Vocês decidem”.

A principal fonte de luz da pintura é uma vela, que está escondida atrás do copo. Se olharmos com atenção podemos observar sua imagem distorcida no lado esquerdo do copo. Dentro do copo está um crânio preservado. Além de ser uma brilhante representação técnica da luz, muito admirada pelos contemporâneos de Wright, a vela e o crânio também têm significado simbólico, lembrando a inevitabilidade da morte e a transitoriedade da vida.

O cavalheiro com casaca verde, que controla num relógio o tempo da experiência, representa os que se entusiasmam com as descobertas científicas. À sua esquerda um rapazinho, também totalmente envolvido, procura enxergar melhor. Deixando um lugar vazio à mesa, Wright abre a cena e convida o observado do quadro a participar.

O luar provavelmente é uma referência à Sociedade Lunar. Com uma sede na região de Midlands, na Inglaterra, onde nasceu a Revolução Industrial, essa sociedade se reunia todos os meses para discutir progressos científicos e realizar experiências. Muitos amigos e patronos de Wright eram membros da Sociedade Lunar. Tal como esse quadro, ela simboliza bem o espírito e a troca de ideias que são a essência da Iluminismo ou Idade da Razão.

A Sociedade se reunia durante a lua cheia, para dar aos membros a oportunidade de voltar para casa à luz da Lua – por isso o nome de Sociedade Lunar.

As duas irmãs estão divididas entre a curiosidade e a dor. O homem, provávelmente seu pai, tranquiliza a menina em lágrimas. Ele tenta explicar às meninas o que está acontecendo na experiência.

O velho, à direita do quadro, adota uma postura consagrada pelo tempo, que representa o pensador. Ele parece perturbado, talvez meditando sobre as consequências desse saber e desse poder recém-descobertos. Sua presença é mais um lembrete de que a ciência pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal.

Foi em Derby, Inglaterra, sua cidade natal, que Joseph Wright pintou a maioria de suas telas. Em 1773 passou algum tempo na Itália. Lá se mais interessou pelos efeitos dos fogos de artificio no céu de Roma do que em registrar cenas da Antiguidade. Registrou também um dos maiores espetáculos naturais de fogos de artifício: a erupção do vulcão Vesúvio, que definiu como  “o espetáculo mais maravilhoso da natureza”.

Experiência com um Pássaro em uma Bomba de Ar, 1768, óleo sobre tela, 183 x 244 cm, Joseph Wright, National Gallery, Londres.

Agora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Joseph Wright, experimente fazer uma releitura dele ou crie uma composição no estilo realista que conte uma experiência científica, usando o material colorido que você mais gostar.

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