Amadeo Lorenzato

Amadeo Lorenzato

Amadeu Luciano Lorenzato nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1º de janeiro de 1900. Filho de imigrantes italianos, foi educado na capital mineira, tendo estudado na Escola Dante Alighieri, da Casa da Itália, um grêmio cultural dos imigrantes da capital, e no Grupo Escolar Silviano Brandão.

Pintou paredes após instruções de Américo Grande e foi ajudante de Caminho Caminhas, o único empreiteiro atuante na área de pintura.

Em 1920, a família Lorenzato retornou à Itália em fuga contra a gripe espanhola.

Em 1925, já estava ligado à Real Academia de Arte, em Arsiero, localidade próxima de Vicenza.

Em 1926, em Roma, foi influenciado pelo pintor e caricaturista holandês Cornelius Keesman, companheiro de pinturas de paisagens e visitas a igrejas e palácios.

Lorenzato ainda esteve em diversas partes da Itália, tendo viajado de bicicleta pelo Leste Europeu, e passado por Paris.

Em Paris, trava amizade com o pintor italiano Gino Severini (1883-1966) e aproveita para ampliar seu conhecimento sobre a obra dos impressionistas, pelos quais revela profunda admiração. Ele afirma ter também grande fascínio pelos trabalhos dos mestres renascentistas italianos.

Em 1948, durante a Segunda Guerra, voltou ao Brasil e se instalou no Rio de Janeiro, onde foi empregado do Hotel Quitandinha. As economias garantiram o retorno da esposa, Emma Casprini, e do filho do casal.

Em 1950, retornou a Belo Horizonte, onde passou a trabalhar na construção civil. O ofício continuou até 1956, quando teve uma perna fraturada. A partir daí, desenvolveu suas pinturas em tela, conhecidas apenas pelos familiares até 1964.

Em 1967, aconteceu a primeira exposição individual do artista no Minas Tênis Clube, organizada por Palhano Júnior, crítico e jornalista.

Na sua pintura o artista prescinde dos detalhes e se concentra nas linhas e cores essenciais, procedimento frequente em pintores próximos ao Primitivismo.

Começa a utilizar um pente de metal comumente empregado na ornamentação de pintura de parede, com o qual funde as camadas de tinta na tela. O resultado é a apresentação de linhas tortuosas e leves reentrâncias dispersas por todo o quadro.

Lorenzato retira seus temas da realidade cotidiana tanto nas paisagens quanto nas naturezas-mortas e retratos.

Utiliza frequentemente novos materiais como a tela de arame, madeira e papelão, assim como pratos, caixas e abajures que servem de suporte para sua pintura.

Realiza também esculturas, trabalhando com argila e, nas obras maiores, com cimento.

Na escultura apresenta tendência à redução a formas básicas e linhas essenciais, embora imprima às figuras grande intensidade e força de expressão.

Amadeo Lorenzato faleceu em 1995 na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais

Um depoimento do artista, publicado no livro Lorenzato – Circuito Atelier, Editora C/Arte, Belo Horizonte, 2004, p. 31 a 34.

-Quais são os motivos que o senhor mais gosta de pintar?

“Gosto muito de céu, árvores e estradas.
Percorri muitos quilômetros a pé pelas estradas, toda a Toscana, a Áustria; as estradas não estavam asfaltadas e havia muitas árvores de fruta: cerejeiras, pereiras e macieiras.”

-O que é a arte para o senhor?
“Bem, a arte para mim é um passatempo, é uma terapia que me ajuda a viver.
Quando estou pintando, esqueço tudo.
Até aconteceu algo inusitado outro dia: estávamos fazendo um churrasco aqui, eu comprei um quilo e meio de linguiça e pus no fogo para fritar e fui fazer um trabalho lá em baixo, uma escultura, e esqueci de tudo.
Quando senti o cheiro de queimado, corri e tinha virado carvão.”

-Qual é o estilo que o senhor pinta?

“Eu nem sei que estilo que é.
É pintura! Dizem que é primitivo, que é ingênua, que é surrealista, eu não sei…
Eu pinto aquilo que vejo, que me interessa.”

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2 comentários em “Amadeo Lorenzato”.

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