Piero della Francesca

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Piero della Francesca

Piero della Francesca nasceu entre 1410 e 1420 na cidadezinha toscana de Borgo San Sepolcro (atualmente conhecida apenas como Sansepolcro), situada cerca de 63 quilômetros a sudeste de Florença. Dizem que seu pai, Benedetto dei Franceschi, um curtidor de couro e fabricante de botas, morreu antes do nascimento do menino. O relato da vida de Piero feito por Giorgio Vasari no século 16 conta que ele foi criado por sua mãe, Romana di Perino de Monterchi. Como se pode deduzir a partir do nome, Romana era originária da vizinha Monterchi, cidade, cujo cemitério comporta em sua pequena capela um afresco de autoria de Piero – a Madona do Parto. O tema da obra é uma adequada homenagem à mãe do artista, provavelmente sepultada em sua cidade natal.

Mestre da perspectiva

Não existe qualquer registro sobre os primeiros anos da vida de Piero. Na verdade, há poucos documentos referentes a qualquer período de sua vida. Em 1442 e novamente em 1467, foi eleito membro do conselho municipal de sua cidade, tendo recebido por essa época diversas encomendas de pinturas.

Piero, ao que tudo indica, amava seu local de origem, pois no decorrer da vida, sempre que podia retornava a Sansepolcro. E traços da cidade, bem como de seus arredores, aparecem em várias de suas pinturas. Mas a busca de uma experiência artística mais rica e de novos encargos o levou à corte papal em Roma e às Cidades-Estados de Florença, Ferrara, Rimini e Urbino.

É em Florença que ouvimos falar dele pela primeira vez, trabalhando com o pintor Domenico Veneziano num afresco decorativo para Igreja de Santo Egídio. O registro, datado de 7 de setembro de 1439, não deixa claro se Piero estaria ou não aprendendo seu ofício como assistente de Domenico. De qualquer forma, para um jovem com talento de Piero, Florença tinha muito a ensinar e a estimular.

Em meio a uma efervescente vida artística e intelectual, Piero absorveu a influência de pintores como Gentile da Fabriano, que trabalhava dentro do estilo gótico flamfloyant, e de Masolino e Masaccio, cujos afrescos devem tê-lo impressionado por sua austera monumentalidade.

O artista deve, também, ter presenciado, com entusiasmo, as discussões a respeito das novas teorias sobre a perspectiva apresentadas por Leon Battista no tratado Della Pittura (Sobre a Pintura). O próprio Piero chegou a se tornar um renomado mestre da perspectiva, ministrava aulas ao arquiteto Bramante, em Urbino, e escrevendo uma obra cujo título era De Prospettiva Pingendi (Sobre a Perspectiva na Pintura).

Impressão bizantina

Um acontecimento ocorrido durante sua estada em Florença parece ter exercido forte impressão em Piero. Em 1439, João Paleologus, imperador bizantino, chegou à cidade vindo de Constantinopla. Viajava à Itália com os dignatários da Igreja do Oriente em busca de uma unidade cristã contra os turcos. No conselho de Florença foi solenemente proclamado um acordo entre as duas Igrejas. Esse acordo não teria vida longa, e a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453 levou a um clamor por uma nova cruzada.

De Florença, Piero retornou à sua cidade natal onde, em 1445, recebeu sua primeira encomenda documentada pela história, o políptico conhecido como Retábulo da Misericórdia. Executado apenas parcialmente por Piero, é provável que tenha levado longo tempo par ser concluído: porque lento e meticuloso, o artista era também solicitado com frequência a trabalhar para outros clientes.

Trabalhos para a nobreza

Piero foi chamado a Rimini, onde o célebre Sigismondo Malatesta requereu sua ajuda na ambiciosa decoração da Igreja de São Francisco, conhecida como Templo de Malatesta.

O trabalho de Piero, um afresco mostrando Malatesta ajoelhado em veneração a Sigismondo, seu santo padroeiro, é a única obra datada (a inscrição é de 1451). Piero também trabalhou para o grande rival de Malatesta, Federico da Montefeltro, cuja exemplar corte em Urbino era um famoso centro de aprendizado humanista e artístico.

Trabalhou ali entre 1450 e 1480, realizando duas de suas obras mais conhecidas Flagelação de Cristo, onde fez seu autorretrato na figura do soldado dormindo, e o admirável díptico mostrando Federico  sua mulher, Battista Sforza, de perfil contra uma luminosa paisagem de colinas verdejantes e de águas claras e plácidas.

No início da década de 1450 Piero começou a trabalhar em sua encomenda mais vultuosa: os afrescos de Arezzo. A família Bacci, prósperos comerciantes da cidade, confiara a decoração de sua capela, na igreja de São Francisco, a Bicci di Lorenzo, pintor florentino da velha escola. Bacci, porém, morreu antes mesmo que começasse a trabalhar as paredes, e Piero foi convocado para realizar a tarefa.

Ao lado de seus assistentes, dedicou a maior parte dos catorze anos subsequentes a esse grandioso empreendimento. Em 1459 interrompeu por breve período o trabalho a fim de decorar os aposentos de Pio II no Vaticano – trabalho posteriormente coberto pela pintura de Rafael.

Cegueira na velhice

Diz se que Piero perdeu a visão na velhice. Marco di Longaro, um fabricante de lanternas de Sansepolcro, contou a um memorialista do século 16 que, quando menino, costumava “conduzir pela mão o mestre Piero della Francesca, excelente pintor, que estava cego”.

Seja como for, ainda em 1447, Piero pôde redigir seu testamento de próprio punho, declarando-se “sadio de mente, intelecto e físico”. Solteiro e sem filhos, legou seus bens a irmãos e sobrinhos. Em 12 de outubro de 1492, o artista falecia, sendo enterrado no jazigo da família na Abadia de Sansepolcro.

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