Tapeçaria: Obras de arte tecidas

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Tapeçaria: Obras de arte tecidas

É a arte de se imprimir em lãs de todas as cores as pinturas concebidas por distintos artistas, com o objetivo de decorar os ambientes mais ricos.

A princípio o pintor elabora sua obra, depois os artesãos se debruçam sobre sua matéria-prima e procuram imitar esta imagem e todas as suas nuances.

Os tecidos são tramados manualmente, compondo figuras de todo tipo. Esta arte lembra o bordado, mas este se distingue por se moldar ao suporte da talagarça, enquanto na tapeçaria a imagem é esboçada pelos mesmos fios da textura utilizada.

É importante também perceber que a pintura e a tessitura são etapas diferentes e ao artífice cabe reproduzir nas lãs as tonalidades e os contrastes presentes no quadro do pintor, através do ofício de tecer.

Um pouco da sua história

A tapeçaria floresceu na Europa durante a Idade Média devido, por um lado, pela abundância de lã e, por outro, pela quantidade de mão-de-obra disponível, embora já fosse exercitada pelos gregos e romanos na Antiguidade.

As tapeçarias mais antigas, normalmente produzidas em conventos e destinada as igrejas, têm temática religiosa.

Com o tempo, os tapetes começaram a ser mais usados nos castelos, conta a lenda que serviam para aquecer o ambiente construído com altas paredes de pedra.

Havia tecelões independentes que viajavam com seus teares para atender encomendas. Esses tapetes laicos incorporam lendas, fábulas, pagãs e temas de romance de cavalaria.

O alto-liço considerado sempre mais difícil e por isso mais apreciado, ocorreu na França já em 1302 e, em Arras, por volta de 1313.

A fama das tapeçarias flamengas se espalhou por toda a Europa.

Tapeçaria técnica Gobelins confeccionada em Flandres - Bélgica
Tapeçaria técnica Gobelins confeccionada em Flandres – Bélgica

Promoviam-se grandes exposições comerciais e a manufatura de Flandres abastecia extensa clientela. A elaboração dos cartões ficava em geral a cargo de pintores, mas também existia o pintor de valores, função frequente em Bruxelas no século XV.

Além da Goya, muitos grandes artistas como Andrea Mantegna, Rafael e Rubens realizavam cartões que foram utilizados como modelos para tapetes.

A tapeçaria tem importante expressão na França. Floresceu durante o Renascimento e no século que se seguiu a este movimento artístico-cultural, agora em território francês. Ela alcançou sua maior expressão no reinado de Luís XIV, mantida pelo Estado, principalmente na famosa manufatura dos Gobelins.

Esta arte teve seu início em meados do século XV, pelas mãos desta família residente em Paris.

A princípio, eles se dedicavam à produção e à coloração de tecidos, mas depois se devotaram ao ofício da tapeçaria até não resistirem mais aos problemas financeiros, quando então sua arte foi assumida pelo Estado, ainda sob a liderança de Luís XIV.

O célebre pintor Charles Lebrun tornou-se responsável, neste momento, pela elaboração das imagens e também da formação de sessenta aprendizes. As iniciativas deste monarca permitiram que a tapeçaria francesa conquistasse um patamar quase impossível de ser transcendido por outros povos.

As obras criadas pelos Gobelins se converteram em peças clássicas que hoje são preservadas em vários museus conhecidos.

A maior tapeçaria do Planeta, O Cristo em Majestade, foi elaborada em Aubusson, em 1962, para revestir a Catedral de Conventry.

Tapeçaria da Catedral de Coventry - Inglaterra
Tapeçaria da Catedral de Coventry – Inglaterra

Tapeçaria com a técnica Aubusson:

Tapeçaria com a técnica Aubusson
Tapeçaria com a técnica Aubusson

Após a invenção dos corantes químicos e dos processos industriais de fabricação de tapetes, nos séculos XVIII e XIX, a tapeçaria artesanal foi revalorizada pelo movimento britânico Arts and Crafts e pelos modernistas.

Em 1961, realizou-se a primeira Bienal Internacional de tapetes.

As sete tapeçarias no Palácio de Christiansborg compostas para as comemorações de 50 anos da Dinamarca, em 1999, procedem também dos Gobelins.

Tapeçaria da sala do Palácio de Christiansborg - Dinamarca
Tapeçaria da sala do Palácio de Christiansborg – Dinamarca

Hoje, encontramos tapeçarias originárias da França decorando os palácios presidenciais de Abidjan e de Brasília, aeroportos em Munique e Nova York, a ópera de Sydney, o Vaticano, e outros tantos espaços públicos.

No Museu de Arte de São Paulo – Masp, localizado no Brasil, é possível contemplar um trabalho denominado O Caçador Descansando, composto sobre temas tipicamente nacionais, doado a Luís XIV por Joan Mauritz van Nassau-Siegen, mais conhecido como Maurício de Nassau, então estadista do Brasil sob o domínio holandês.

Caçador descansando - Obra oferecida por Mauricio de Nassau ao Rei da França - hoje faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo - Brasil
Caçador descansando – Obra oferecida por Mauricio de Nassau ao Rei da França – hoje faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo – Brasil

Em Portugal, a peça mais célebre é o Tapete de Arraiolos.

Tapeçaria técnica Arraiolo.
Tapeçaria técnica Arraiolo.

Ainda hoje, a tapeçaria prospera como as outras artes, e com certeza a França ainda se destaca neste ofício, tanto na composição das imagens como na riqueza e vivacidade das cores utilizadas. Exposições no mundo todo são realizadas com peças provenientes principalmente do Museu de Belas Artes de Paris, o Petit Palais, geralmente com a curadoria de especialistas franceses.

Tapeçaria medieval - Acervo do Petit Palais - Paris - França
Tapeçaria medieval – Acervo do Petit Palais – Paris – França

Tapeçarias contemporâneas no Brasil:

 

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