Um Bar no Folies-Bergère, Édouard Manet

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Um Bar no Folies-Bergère, Édouard Manet

Este famoso quadro de Manet retrata o Folies-Bergère, um dos célebres cafés-concerto de Paris do fim do século 19, muito apreciados pelo artistas. Nos cafés-concerto encontravam-se pessoas de todas as classes sociais, que iam comer, beber e se divertir, e onde cada um podia ver e ser visto.

O arranjo e a composição do quadro são típicos da sua melhor fase: uma estrutura simples e memorável, que mantém os olhos e a imaginação sempre alertas. Ao centro, a garçonete Suzon, perdida em seus pensamentos, à esquerda, uma cena compacta e movimentada, e à direita, algo que parece o reflexo de Suzon conversando com um freguês. Mas será mesmo isso? Quanto mais estudamos o quadro, mais ele se torna intrigante – como o devaneio da própria Suzon.

Manet capta o brilho da iluminação elétrica, que ia se popularizando nos locais mais elegantes. O reflexo do lustre atrás de Suzon, composto por pinceladas difusas, complementa a delicada renda no decote e nas mangas de Suzon.

No canto esquerdo superior vemos as pernas de um acrobata, de meias rosadas e sapatos verdes que diverte os clientes do café-concerto. Mas parece que ninguém está interessado nele, muio menos Suzon, e a presença do acrobata só serve para realçar o ar de tristeza da moça.

O balcão refletido no espelho forma uma faixa horizontal que divide a composição ao meio. Outras faixas horizontais bem marcadas definem o campo do balcão e o reflexo do bar. Suzon e as garrafas unem todas essas faixas.

Manet gostava de brincar com o espaço. Note como aqui ele usa espelho e as garrafas para empurrar o espaço para trás, e o lado direito faz exatamente o oposto, isto é, as garrafas trazem o espaço para a frente. O reflexo das garrafas não corresponde ao seu arranjo em cima do balcão.

Embora Manet evitasse usar qualquer simbolismo consciente ou explícito, preferindo mostrar a vida moderna de maneira factual, as garrafas têm nuances de significado. O champanhe, bebida dos ricos e da alta sociedade, está ao lado de uma garrafa de cerveja inglesa Bass, identificável pelo ângulo vermelho do rótulo, que é associada à classe operária. Da mesma forma, a sociedade do café-concerto era mista: homens elegantes (como o próprio Manet), operários e prostitutas se encontravam lado a lado e desfrutavam da companhia uns dos outros.

A assinatura do artista e a data 1882, aparecem no rótulo da garrafa à extrema esquerda do quadro.

Manet escolheu como modelo uma moça chamada Suzon, que de fato era uma garçonete do Folies-Bergère. A maioria dos quadros de Manet retrata mulheres, e o artista teve relacionamentos duradouros com muitas de suas modelos.

Suzon está absorta em seus pensamentos e precisamos buscar pistas para decifrar suas reflexões e compartilhar a intimidade deste momento.

Uma forte linha vertical corre pelo rosto e pelo vestido de Suzon, de modo que o lado direito da moça é como o reflexo de lado esquerdo.

O copo com flores e as frutas são detalhes pintados como naturezas-mortas, com excepcional riqueza de cores e tintas fortes. Manet compunha muitas naturezas-mortas, copiando diretamente os objetos. O par de rosas faz um jogo com as flores no corpete de Suzon.

Manet pediu a um colega pintor, Gaston Latouche, que posasse como um freguês que conversa com a garçonete. Mas comparado com o rosto de Suzon, o rosto do homem não é individualizado.

Pela lógica o reflexo de Suzon não apareceria nessa posição, e sua pose é diferente da pose da moça que olha para Gaston Latouche. A Suzon está conversando com um homem que devemos imaginar postado no lugar onde nós próprios estamos, em frente ao quadro. Essas imagens só fazem sentido se olhadas no nível poético. Talvez essa seja uma conversa que Suzon teve alguns minutos antes e que agora lhe volta à mente, ou talvez seja uma conversa que ela espera ter, ao encontrar alguém que se apaixonará por ela e a libertará da dura vida de garçonete.

Manet celebrizou-se por seu amor pelas grandes áreas planas, de cores ricas e sensuais. Amava em especial o negro – em contraste direto com os impressionistas, que excluíam o negro de sua paleta. É muito difícil para um pintor lidar com a cor negra e lhe dar vida. Manet era grande admirador de Velázquez, cuja obra estava sendo redescoberta pelos artistas de vanguarda da época.

Esse quadro pertence ao Courtauld Institute Galleries, em Londres.

Um Bar no Folies-Bergère, 1882, óleo sobre tela, 96 x 130 cm, Édouard Manet, Courtauld Institute Galleries, Londres.

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