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Alegoria do Tempo e do Amor, Bronzino

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O célebre quadro aqui representado pode certamente identificar-se com o que Vasari descreve, mandado executar pelo grão-duque da Toscana, Cósimo de Médici, em homenagem ao rei da França, Francisco I.

O significado da representação é a celebração do amor sensual, como bem se vê na atitude de Cupido e de Vênus (até há pouco tempo a deusa estava coberta, em parte, por um véu pudicamente acrescentado, e tirado quando do restauro da obra).

Mas a obra está também cheia de alusões e alegorias. Assim, por exemplo, à direita, brinca, sorridente, um menino que representa a Alegria, prestes a lançar pétalas de rosa sobre os dois amantes; por detrás desta imagem feliz vê-se, na penumbra, uma menina com corpo de réptil e cujas mãos foram pintadas de forma invertida: é, seguramente, o Engano, que, em geral, acompanha as histórias de amor carnal.

À esquerda dos amantes surge, por sua vez, a figura desesperada e gritante dos Ciúmes, também ela presente em todas as relações amorosas.

O engano da paixão revela-se também no gesto do Cupido que segura o diadema de Vênus na tentativa de retirá-lo. Vênus, unida ao Amor num abraço sensual, retira do deus a flecha, gesto que também alude ao engano da paixão. Aos pés dos amantes estão pintadas a pomba, um dos símbolos de Vênus, e as máscaras da juventude e da velhice.

Uma figura feminina em segundo plano, gritando, raivosa, segura a cabeça entre as mãos: o amor sensual leva ao desespero dos amantes. Interpretada por muitos como o Ciúme, foi recentemente identificada como a personificação da sífilis, verdadeira epidemia da Europa do século 16.

A ampulheta permite identificar a representação do Tempo como o homem barbudo e alado que sustenta as costas de Vênus; ele se dispõe a cobrir a cena com um pano azul-marinho, indicando, dessa forma, que o tempo desvanece qualquer paixão. Esta alegoria é típica da Contrarreforma: sob o ilusório semblante da beleza e do prazer ocultam-se os vícios que deles se geram.

A obra é exemplar pelo gosto que Bronzino nela exibe por meio de uma matéria limpa e intacta, de tal forma que as carnes parecem trabalhadas em marfim. A própria gama cromática, de tons altos e luminosos, exalta a beleza desenhada e retocada de cada um dos rostos ou de cada um dos membros.

É o triunfo da qualidade intelectual e do fazer amaneirado, que abandonou a pesquisa do natural e do espontâneo.

Alegoria do Tempo e do Amor, c.1540-1550, óleo sobre madeira, 146,5 x 116,8 cm, Bronzino, National Gallery, Londres.
pincel

Agora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Bronzino, experimente fazer uma releitura dele ou criar uma composição que contenha alegorias.

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