A Transfiguração, Rafael Sanzio

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A Transfiguração, Rafael Sanzio

Em 1517, o cardeal Giuliano de Médici, parente de Leão X, encomendou a Rafael Sanzio uma Transfiguração para a catedral de Sant Juste Narbona, onde ele era bispo, porém, em 1523, ela foi colocada na igreja romana, projetada por Bramante de São Pietro in Montorio. Lá permaneceu até 1797, quando foi levada para Paris, sendo devolvida em 1815 a Roma, onde permanece até a atualidade na Pinacoteca do Vaticano.

A obra de Rafael deveria fazer par com a Ressurreição de Lázaro encomendada simultaneamente a Sebastiano del Piombo, o que levou ambos os pintores a estabelecer uma espécie de competição.

O quadro reflete dois episódios independentes, sem qualquer conexão, exceto o fato de que, nos textos evangélicos que serviram de fonte iconográfica, apareçam relatados um detrás do outro.

Assim, na parte superior, aparece Jesus elevando-se sobre o cume do monte Tabor, junto a Moisés e ao profeta Elias, na presença dos apóstolos Pedro, Santiago e João. A parte inferior representa o Milagre da cura do menino possuído pelo demônio.

A impressão que produz esta pintura é de falta de unidade ou escassa coerência entre as duas cenas representadas e se devem, sem dúvida, à duplicidade do tema.

Rafael concebeu a obra em princípio, como uma simples Transfiguração, mas talvez com a ideia de conferir-lhe uma maior vivacidade, decidiu agregar a cena do endemoniado.

A composição foi muito meditada como demonstram os numerosos desenhos que Rafael e seus colaboradores realizaram para os diferentes personagens, assim como as variantes da primeira versão que se revelaram após a restauração de 1977.

O resultado foi uma das obras mais complexas de Rafael na qual, os únicos restos dos modelos classicistas do pintor se encontram na mulher ajoelhada em primeiro plano e na cabeça de São João.

O resto responde a características próprias do maneirismo que se observam tanto nos desenvolvidos efeitos expressivos cheios de dramatismo, como no forte contraste de luzes e sombras que inunda violentamente a tumultuada e teatral cena da zona inferior.

Após a última restauração terminada em 1981 dissiparam-se as dúvidas existentes sobre a exclusiva autografia rafaelesca desta obra, a qual finalmente pode ser considerada, embora não plenamente acabada, de sua própria mão.

Até hoje ignorava-se o ponto em que se encontrava a composição no momento da morte de Rafael. Grande parte dos estudiosos defendiam que a parte inferior do quadro, somente esboçada pelo mestre havia sido realizada por seus discípulos entre 1520 e 1522 e concretamente por Giulio Romano, devido à existência de uma petição de pagamento a favor deste. Embora a autoria da obra já não seja motivo de dúvida, não se pode negar a intervenção de seus ajudantes na conclusão da parte inferior do quadro, mas sem dúvida estes seguiam o desenho concebido na sua totalidade por seu mestre.

A Transfiguração, 1517-1520, óleo sobre tela, 405 x 270 cm, Rafael Sanzio, Pinacoteca Vaticana, Roma.

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