O Triunfo de Galateia, Rafael Sanzio

História das Artes > Olho-vivo > Análise Estética > Obras Analisadas > O Triunfo de Galateia, Rafael Sanzio
O Triunfo de Galateia, Rafael Sanzio
   

Neste afresco, Rafael se enfrenta à representação de uma figura da mitologia clássica: Galateia, filha de Nereo e de uma divindade marinha, cuja lenda é narrada por Ovídio em As Metamorfoses. Galateia era a donzela que habitava no mar em calma, e Polifemo, o cíclope siciliano de monstruoso corpo que se apaixonou por ela, sem ser correspondido, pois esta amava o belo Acis, filho do deus Pan e de uma ninfa.

Um dia, encontrando-se Galateia descansando à beira do mar sobre o peito de seu amante, foi vista por Polifemo, que, ciumento de Acis, quando este tentava fugir, derrotou-o com uma enorme rocha. Galateia restituiu, então, Acis à natureza de sua mãe, a ninfa, transformando-o em um rio de límpidas águas.

Rafael fez uma interpretação muito pessoal do mito baseando-se em diversas fontes, tanto bibliográficas -o relato de Ovídio e as poesias de Ângelo Poliziano-, como arqueológicas -recuperação dos temas marinhos encontrados em muitos sarcófagos e pinturas antigas existentes nas coleções romanas.

Rafael utiliza aqui uma luz cristalina e quase transparente de azuis violáceos e verdes esfumados com os quais ressalta a escura pele e a musculatura do lascivo tritão frente às claras encarnações da nereida.

O contraste do vivo colorido, mas suavemente esfumado, de caráter irreal, assim como a marmórea superfície do mar evidenciam um profundo conhecimento da pintura romana. Conhecimento que o pintor emprega para conseguir uma cena na qual se respira um classicismo de corte arcaico que nos remete às obras pictóricas de Pompeia.

Este afresco apesar de seu conteúdo pagão foi relacionado sempre, a nível estilístico, com o de Santa Catarina de Alexandria da Galeria Nacional de Londres, pois ambas as figuras femininas, possuem o mesmo semblante e quase idêntica posição.

Este afresco se encontra colocado na célebre vila romana conhecida pelo nome de La Farnesina, propriedade do banqueiro Agostino Chigi, um dos homens mais ricos e poderosos de sua época que se tornaria o principal mecenas de Rafael depois do papa. Para decorar sua fastuosa vila ele contratou os melhores pintores do momento com a idéia de que estes evocassem, com suas obras, o espírito clássico através dos temas e formas da Antiguidade.

Neste afresco, Galateia aparece avançando triunfalmente sobre as ondas, erguida sobre uma concha, arrastada por um casal de delfins aos que o jovem deus marinho Palemon guia, enquanto dirige seu olhar para os anjinhos que lançam suas flechas do céu.

Ao seu redor há um desenfreado cortejo de Nereidas e Tritões, personagens fantásticos, metade homem metade peixe. Como complemento desta cena e do mito que representa, Sebastiano del Piombo pintou, no painel situado à esquerda do afresco rafaelesco, o ciclope Polifemo em atitude de contemplar sua amada.

O Triunfo de Galateia, 1512, afresco, 2,95 x 2,24 m, Rafael Sanzio, Vila Farnesina, Roma, Itália.

pincelAgora que você sabe mais detalhes sobre essa obra de Rafael Sanzio, experimente desenvolver sua releitura sobre o tema, inspire-se nas características do Renascimento e crie uma cena mitológica ou folclórica, usando o material colorido que você mais gostar.

quadroFotografe seu trabalho e compartilhe sua experiência conosco, nas nossas redes sociais, usando  #historiadasartestalento

COMO CITAR:

Para citar esta página do História das Artes como fonte de sua pesquisa utilize o texto abaixo:

IMBROISI, Margaret; MARTINS, Simone. O Triunfo de Galateia, Rafael Sanzio. História das Artes, 2021. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/triunfo-galateia-rafael-sanzio/>. Acesso em 12 May 2021.

PESSOAS QUE LERAM ISSO, TAMBÉM GOSTARAM....

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: