A Escola de Atenas, Rafael Sanzio

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A Escola de Atenas, Rafael Sanzio

Rafael foi a escolha inspirada e corajosa o papa para decorar o salão chamado Stanza della Segnatura, no Vaticano, em Roma. Este são era usado como biblioteca; era ali que o papa Júlio II (1443-1513) assinava decretos da corte eclesiástica.

Há quatro temas (um em cada parede): filosofia, teologia, poesia e direito. A obra abaixo ilustra a filosofia e está repleta de imagens dos maiores expoentes dessa disciplina. Na época, Rafael era um artista pouco conhecido de 25 anos, sem muita experiência em pinturas de grandes dimensões e na técnica do afresco. Numa sala vizinha realizava-se outra grande encomenda papal: Michelangelo estava pintando o teto da Capela Sistina.

A figura do nicho à esquerda, segurando uma lira, é Apolo, deus do Sol, que representa a harmonia e a sobriedade. Representa também o estabelecimento filosófico e o poder civilizador da razão. A imagem baseia-se numa escultura de Michelangelo, “O Escravo Moribundo”, que hoje está no Museu do Louvre, em Paris.

A deusa representada no nicho à direita é Minerva, que preside a paz e a guerra defensiva. Encarnação da sabedoria, ela é a padroeira tradicional das instituições dedicadas à busca do conhecimento e da realização artística.

No centro do cenário arquitetônico estão os dois grandes filósofos do mundo clássico, Platão e Aristóteles. Platão, que representa a filosofia abstrata e teórica, aponta para cima. Aristóteles, à direita, indica com um gesto o que está logo ao seu redor; ele representa a filosofia natural e empírica.

No grupo da esquerda estão Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), rei da Macedônia e discípulo de Aristóteles, que possui um elmo na cabeça e escuta atentamente as palavras de Sócrates (c. 470-399 a.C.), O filósofo grego enfatiza com os dedos os pontos de sua argumentação. O questionamento e a análise são o cerne da filosofia socrática.

No canto inferior direito, sentado lendo um livro, está Pitágoras (c.580-c.500 a.C.), o famoso matemático grego, cujos postulados geométricos até hoje são ensinados nas escolas, demonstra um deles para grupo fascinado; um dos ouvintes segura uma lousa. Pitágoras também personifica a aritmética e a música.

A figura solitária nos degraus não foi incluída nos desenhos preliminares. Claramente, representa Heráclito, filósofo melancólico que costumava chorar devido à tolice humana. Heráclito vestido com roupas de pedreiro, na realidade é um retrato de Michelangelo. Assombrado com a força do trabalho desse artista, Rafael incluiu seu retrato como um tributo ao colega mais velho.

A figura esquálida esparramada nos degraus é Diógenes (c.412-c.323 a.C.), um pensador, que detestava as posses materiais e vivia dentro de uma barrica – de onde veio o apelido de “o cão”. Seu estoicismo ficou bem ilustrado quando ele ignorou um convite para a coroação de Alexandre, o Grande. O novo rei lhe fez uma visita, perguntando se havia algo que pudesse fazer pelo velho filósofo, e obteve a resposta: “Saia da frente do Sol”.

No grupo de pessoas abaixo à direita está Euclides, matemático grego do século 3 a.C. e discípulo de Sócrates. Ele aqui expondo um de seus princípios geométricos, ele está arqueado e escrevendo numa lousa pousada no chão. O grupo ao seu redor mostra alunos entusiasmados que parecem prestes a compreender um conceito difícil.

O segundo rosto, que aparece da direita para esquerda, no grupo próximo à Euclides, é o retrato do artista. Rafael incluiu um retrato de si mesmo: ele é o jovem ao lado de Ptolomeu, e  olha diretamente para fora do quadro, como se quisesse captar nossa atenção e ser notado. Muitas outras figuras são homens famosos da época de Rafael: Platão se parece com Leonardo da Vinci, e Euclides com Bramante. Era uma maneira de conectar o passado com o presente e de prestar uma homenagem aos grandes homens de sua época.

Ainda no grupo da direita apresenta-se também Ptolomeu, astrônomo e geógrafo do século 2, ele, que ensinava que a Terra era o centro do universo, segura um globo terrestre. Junto a ele, uma figura ostenta um globo celeste. Trata-se provavelmente do profeta persa Zoroastro ou Zaratustra (c.628-551 a.C.).

O cenário arquitetônico é imaginário, mas sua escala, magnificência e harmonia representam os ideais da Renascença, que buscava expressar sempre valores sobre-humanos. Quando esta obra foi pintada, o papa Júlio II planejava a reconstrução da Catedral de São Pedro com o arquiteto Bramante. Em 1514, após a morte de Bramante, Rafael foi nomeado o arquiteto papal. Aqui o desenho arquitetônico de Rafael utilizando a sóbria ordem dórica, é um belo reconhecimento de sua admiração pelo estilo de Bramante.

Rafael foi um menino prodígio, nascido na cidade de Urbino, na Itália central. Em 1504, ao chegar em Florença, tinha apenas 21 anos; contudo, foi logo considerado do mesmo nível que outros dois gigantes da Alta Renascença: Michelangelo, na época com 29 anos, e Leonardo da Vinci, com 52. Rafael teve o patrocínio do papa Júlio II e de seu sucessor Leão X, que em 1514 nomeou Rafael arquiteto papal. Morreu atingido por uma febre no dia 6 de abril (que é também a data de seu nascimento) de 1520, com apenas 37 anos de idade.

A Escola de Atenas, 1509-11, afresco, base 772 cm, Rafael Sanzio, Stanza della Segnatura, Vaticano.

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