Viagem a Citera, Jean-Antoine Watteau

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Viagem a Citera, Jean-Antoine Watteau

Este quadro de Watteau, conhecido como uma fête galante (festa galante), retrata as elegantes festas ao ar livre, muito populares entre a nobreza do século 18.

Casais elegantes realizavam polidos rituais de comportamento e conversação, em que os verdadeiros significados e desejos ficavam discretamente ocultos. Os casais aparecem em trajes próprios da época, mas Watteau os transporta para um mundo de fantasia – o mundo que essas pessoas procuravam atingir na imaginação.

Ele retrata uma viagem a Citera, ilha consagrada à Vênus, deusa do amor, que segundo a lenda ali pousou após seu nascimento. Este quadro é um dos mais belos frutos do Rococó, o estilo que dominou todas as artes na primeira metade do século 18.

O tema leve e a harmonia entre as pessoas e a natureza, e as cores pastel são os traços típicos do Rococó. Watteau usa cores tênues, decorativas, e aplica camadas finas de tinta com pinceladas leves, que às vezes mal parecem tocar a tela. Em muitos lugares ele apenas sugere uma forma, em vez de desenhar em contorno claro. Essa técnica hesitante, ambígua e perfeitamente adequada ao tema, pois no amor nada é certo: uma meia sentença ou um rápido olhar podem significar tudo – ou nada – para quem está apaixonado.

A atmosfera de liberdade e desinibição que as pessoas e os putti (meninos nus) demonstram no quadro se referem nas árvores que crescem selvagens e exuberantes. O céu e as folhagens funcionam como um pano de fundo teatral para o palco – Watteau participava ativamente no teatro e tinha muitos amigos atores.

Os anjinhos ou putti são os únicos deuses da Antiguidade que Watteau permite entrar na tela. Cansados de apelar para os deuses da Grécia, os artistas do Rococó buscaram guia e inspiração na natureza, referindo-se aos antigos deuses apenas de maneira brincalhona ou romântica.

Vênus é representada com seu filho Cupido, deus menor, ele costumava estar armado com arco e flecha, pois atira suas flechas nos seres humanos para fazê-los se apaixonarem. A estátua parece quase viva. É um traço característico de Watteau – em seus quadros, as estátuas de pedra parecem prestes a tornar-se de carne e osso.

Entre os objetos colocados na base da estátua estão armas e armaduras, livros e uma lira, que representam a guerra, o estudo e as artes. Aos pés de Vênus, um anjinho puxa uma guirlanda de louros para coroar a deusa. A mensagem é o triunfo do amor sobre todas as atividades: em latim, amor vincit omnia – o amor tudo vence.

O céu da tarde parece um contraponto melancólico para o tema alegre. Parece que o dia do Amor já está terminando, e os amantes voltam para o barco que os espera e irá transportá-lo de volta à realidade.

Além de contribuir para o fluir da procissão, cada grupo funciona em separado: podem ser interpretados como várias sequências de um filme, mostrando os estágios sucessivos do movimento de um único casal.

Watteau conduz nosso olhar da direita para a esquerda ao longo da linha curva, que sobe como uma frase musical. Note também como ele quebra o ritmo no ponto mais alto, com o homem que segura um bastão. Essa quebra de ritmo também é uma técnica usada na música.

Assim como a música pode trazer imagens à mente, certos quadros podem nos fazer ouvir música. O segredo é deixar o olhar seguir as linhas curvas da composição, notando os detalhes e assimilando as cores e texturas. Mozart (1756-91) nasceu 35 anos depois da morte de Watteau, mas há um paralelo entre a arte de ambos. Mozart brincava com as texturas e cores musicais e amava as frases curvas. Sob o frescor juvenil da obra de Mozart há também sentimentos profundos do que aqueles revelados na aparência exterior.

Viagem a Citera, 1717, óleo sobre tela, 129 cm x 194 cm, Antoine Watteau, Museu do Louvre, Paris.

pincel

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