A Ceia de Emaús, Caravaggio

A Ceia de Emaús, Caravaggio

Caravaggio morou, em 1601, no palácio do cardeal Gerolamo Mattei, em Roma, e executou algumas das telas para a família patrícia, entre as quais esta, o São João Batista, que se encontra na Pinacotera Capitolina de Roma e a Captura de Cristo, na National Gallery de Dublin.

Este quadro constitui um ponto de inflexão entre as obras da juventude e as da maturidade e inaugura a série de temas cristológicos, em que as figuras são representadas a três quartos, segundo um esquema difundido na pintura veneziana do século 16.

O tema da cena de Emaús foi tratado pelo atista também numa outra versão, executada por volta de 1606, hoje, conservada na Pinacoteca de Brera, em Milão. Nesta, o acento recai na teatralidade dos gestos exagerados e demonstrativos da enorme surpresa dos discípulos no instante em que reconhecem Cristo, jovem e sem barba, que abençoa o pão.

Os braços abertos do peregrino à direita, o cotovelo com a manga rota de Cléofas, o admirável cesto de frutas em desequilíbrio à beira da mesa, a garrafa que filtra a luz, o frango assado, todos os elementos, em suma, parecem imergir do quadro, convidando o observador a participar da divina manifestação.

Caravaggio mergulha a cena na sombra da sala de uma hospedaria, sem a decoração que o tema sagrado exigia, mas com revolucionária adesão à realidade e à vida cotidiana.

A composição está construída em profundidade, em planos diferentes, aos quais correspondem os diversos protagonistas: as sombras projetadas pelas figuras sobre o fundo da parede subliham as proporções das personagens na cena.

O quadro conta uma história dramática e está repleto de significados simbólicos. Cristo havia sido crucificado, mas ressurgio dos mortos. Dois discipulos seus, ainda chocados com os acontecimentos recentes, estavam caminhando até a aldeia de Emaús quando um estranho os alcançou (Lucas 24:15). Em Emaús os três homens pararam numa estalagem e sentaram-se para comer. Antes de comer, o estranho abençoou o pão. Neste momento, os discípulos perceberam que ele era Cristo e estava abençoando o pão como havia feito na Última Ceia.

No cesto de frutas, as maçãs manchadas e os figos meio abertos referem-se ao pecado original do homem. A romã simboliza o triunfo de Cristo sobre o pecado através da Ressurreição. A concha na túnica indica que o homem à direita é um peregrino. Provavelmente é São Pedro, o primeiro discípulo a ver Cristo após a Ressurreição.

O estaleiro não compartilha o drama do momento, pois não sabe quem é Cristo nem conhece o significado da benção do pão. Ele pode ser considerado um representante daqueles que não reconhecem a Igreja. Sua calma aumenta a tensão dramática do momento, constrastando com a agitação dos discípulos. Visualmente, ele dirige o olhar para o centro do quadro, atraindo nossa atenção para o rosto e o gesto de Cristo.

Caravaggio ficou famoso por sua maestria na técnica do escorço, a ilusão de que um objeto ou parte do corpo se projeta diretamente para fora da tela, neste quadro há vários exemplos de escorço. O lado mais próximo da mesa está vago, convidando o espectador a participar deste dramático acontecimento.

Este quadro pertence ao acervo da National Gallery de Londres.

A Ceia de Emaús, c. 1600-01, óleo e têmpera sobre tela, 141 cm x 196,2 cm, Caravaggio, National Gallery, Londres.

 

pincel

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