Alegoria dos Prazeres Carnais, Hieronymus Bosch

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Alegoria dos Prazeres Carnais, Hieronymus Bosch

A forma mais característica das pinturas de Bosch foi o tríptico: uma sequência de quadro que lhe permitia desenvolver a narração no espaço e no tempo, aproveitando, como entreato ou crítica moral, as partes exteriores dos painéis. Descreve manifestações críticas da vida europeia em um período de transição dividido entre os valores tradicionais (medievais) e os modernos (humanistas).

Na arte externa das laterais, pintou O Caminho da Vida, alegoria dos peregrinos que espiam o homem na sua vida terrena; no painel da esquerda, pintou quatro episódios ligados ao tema da perdição do homem: a queda dos anjos rebeldes, a criação de Eva, o pecado original e a expulsão do Paraíso terrestre; e, no painel da direita, representou o inferno, onde demônios pedreiros constroem grandes torres para abrigar todos os condenados.

Mas é o painel do centro o protagonista desta alegoria satírico-moral, cuja chave interpretativa é um antigo provérbio flamengo: “O mundo é como um carro de feno e cada um colhe o que pode”. Por isso, esse quadro também é conhecido como O carro de Feno.

A complicada cena é dominada pelo carro de feno, símbolo da cobiça e dos prazeres enganosos da vida, arrastado para o inferno por criaturas horríveis: a humanidade corrupta, apontando para o insensato caminho da perdição eterna, aglomera-se em tumulto ao redor do carro até ser degolada ou atropelada pelas rodas por um punhado de feno. Abaixo, escondido dos olhares dos outros, um frade gordo desfruta da sua parte de feno, reposto por freiras atarefadas num grande saco.

Sobre o carro de feno, alheiros ao horrível tumulto que se verifica abaixo, sentam-se aqueles que vivem no pecado da luxúria: um casal de camponeses beija-se no meio da moita enquanto outros se dedicam a uma música lasciva, acompanhados por uma figura demoníaca com nariz em tromba e cauda de pavão, alusão à vaidade. Também são símbolos de luxúria o jarro e o bufão que emergem da moita.

Ao lado esquerdo do carro de feno, um grande cortejo o segue. Entre as figuras a cavalo podemos identificar o rei da França, seguidos pela nobreza; nem sequer os poderosos da Terra estão a salvo da corrupção e do pecado; por outro lado, Bosch mostra-nos o heterogêneo e frenético cortejo.

O carro de feno, símbolo da cobiça humana, é levado lentamente até o inferno, pintado por Bosch no painel da direita, construído por um grupo de personagens monstruosas, criaturas híbridas, meio seres humanos e meio animais. Entre estas, um peixe com as escamas, irônica alusão à pureza já perdida. Uma cabeça cortada procede, como se fosse um estandarte, a demoníaca procissão.

O carro de Feno ou Alegoria dos Prazeres Carnais, c.1516, óleo sobre madeira, painel central 147 x 100 cm, painéis laterais 147 x 56 cm, Hieronymus Bosch, Museu do Prado, Madri.

pincel

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