Autorretrato com Luvas, Albrecht Dürer

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Autorretrato com Luvas, Albrecht Dürer

O recurso de colocar o braço do modelo num peitoril era um método conhecido para criar a ilusão de proximidade entre o espectador e o retratado. 

Albrecht Dürer deve ter aprendido esse expediente visual a partir de obras como Mona Lisa de Leonardo da Vinci, que deve ter visto ao viajar pela Itália. Foi o primeiro artista nórdico de espírito renascentista, combinando seu talento detalhista do Norte com as conquistas da Renascença italiana. Era fascinado pela natureza, se aprofundou em estudos de botânica, e também publicou tratados de perspectivas e proporções ideais.

Ele pintou vários autorretratos, tema pouco comum na época e que pode ser visto como uma promoção do status do artista na sociedade. Se um patrono pode ser representado num quadro, por que não um artista?

Dürer, que por nascimento e profissão pertencia à classe social dos artesãos, foi acolhido nos círculos humanistas e aristocráticos. A inscrição – que acompanha a data de 1498 e a assinatura –  que aparece logo abaixo da janela na obra, marca orgulhosamente a confiança do pintor em si mesmo: “Pintei-o conforme minha aparência; tinha vinte e seis anos”. Consciente do progressivo êxito e do alto nível social alcançado, Dürer se satisfaz com seu aspecto físico e o prestígio alcançado: já não se sente um artesão ourives, como o seu pai, mas um refinado intelectual.

A pintura não mostra traços dos seus tormentos interiores; apresenta-o altivo e seguro de si, junto de uma janela aberta, com montanas cobertas de neve ao longe. Veste, com arrogância, elegante traje à moda da época e um par de luvas de pele finíssima que deixam perceber o contorno das unhas. Apesar da aparente autoconfiança do autor, há uma certa hesitação e apreensão em seus olhos e na maneira como ele aperta as mãos.

A monumentalidade das formas, a atitude adotada, a delicadeza das roupagens e a harmonia cromática revelam a influência italiana, especialmente de Giovanni Bellini, cuja obra o artista conheceu diretamente em Veneza, em 1494-95.  Destacamos também que a paisagem que se vê através da janela aberta, à direita, era um recurso utilizado com frequência pelo artistas nórdicos, tais como Jan van Eyck e Robert Campin.

Os compridos e louros cachos repousam sobre os ombros. Com seu vigoroso traçado, os cabelos revelam a familiaridade de Dürer com a arte da gravação, seja em metal ou madeira, que difundiram sua fama por toda a Europa no século 16.

Autorretrato com Luvas, 1498, óleo sobre madeira, 52 cm x 41 cm, Albrecht Dürer, Museu do Prado, Madri.

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