Coroação de Espinhos, Hieronymus Bosch

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Coroação de Espinhos, Hieronymus Bosch

Bosch é famoso por ter inventado paisagens fantasiosas povoadas por uma multidão de pequenas figuras fantasmagóricas, demoníacas e bizarras. 

As suas poucas composições de grandes figuras versam, todas elas, o tema da Paixão de Cristo ou temas estritamente relacionados com ela, como se vê também nas derivações e nas cópias com poucas personagens de meio-busto, que lhe permitem concentrar-se na descrição psicológica.

As figuras são pintadas à superfície, delineadas em primeiro plano, de acordo com um esquema diagonal que intensifica a ameaça, a atmosfera claustrofóbica, e enfatiza o sentido de opressão e angústia do martírio de Cristo.

Como noutras obras, Bosch inclui no seu repertório figuras e mímicas grotescas ou caricaturais, frequentemente brutais e cruéis, em violento contraste com as sacras ou divinas.

Só Cristo, mansa vítima na sua veste branca de inocência, olha para o exterior, não ainda oprimido pelo peso brutal da cora de espinhos, que a luva de ferro do feroz algoz lhe estende como se fosse uma auréola.

O quarto de lua islâmico e a estrela sobre o manto que o velho, embaixo, à esquerda, usa na cabeça sublinham a infidelidade dos muçulmanos aos judeus.

O carrasco apresenta atributos de difícil leitura, como as folhas de carvalho no chapéu e o grande colar cheio de cravos. Este último pode interpretar-se como um tipo de coleira usada pelos cães dos pastores, aludindo, assim, à índole animalesca da personagem.

Os carcereiros oferecem uma visão completa dos diversos graus do mal, que atinge o cume no sorriso satânico do velho com a barbicha. O traço de Bosch tende aqui  a abandonar as onduladas cadências góticas das primeiras obras e a tornar-se anguloso e quebrado.

Os rostos maléficos dos perseguidores foram interpretados como alusões aos quatro tipos temperamentais: as figuras de cima referir-se-iam ao fleumático e melancólico; as de baixo aos temperamentos sanguíneo e colérico. Em qualquer dos casos parece nítido o contraste com o doce rosto de Cristo, que revela uma serena aceitação a dor.

Coroação de Espinhos, 1490-1500, óleo sobre madeira, 73,8 x 59 cm, Hieronymus Bosch, National Gallery, Londres.

pincel

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