Natureza-Morta com Molde de Gesso, Paul Cézanne

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Natureza-Morta com Molde de Gesso, Paul Cézanne

A obra de Cézanne ficou praticamente desconhecida durante quase toda sua vida, exceto por alguns artistas e colecionadores dedicados. Entretanto, pouco depois da sua morte ele começou a ser reconhecido como um dos verdadeiros gigantes, cujo trabalho foi ão influente e essencial que mudou todo aspecto e o direcionamento da arte.

Cézanne é para a arte moderna o que Giotto foi para a Renascença. Com sua obra, Cézanne mostrou que havia uma nova maneira de ver e uma nova maneira de registrar essa percepção do mundo, fora das convenções estabelecidas pela Renascença. Seus temas são, na verdade, muito tradicionais: paisagens, nus, retratos, uma natureza-morta no canto do estúdio. Porém, em vez de aplicar esmeradas técnicas ensinadas nas escolas de arte (que Cézanne nunca conseguiu dominar), ele se disciplinou para registrar apenas o que seus olhos realmente viam.

Esta famosa natureza-morta, pintada já no fim da vida desse grande artista, pode ser considerada uma notável demonstração desse empreendimento. Mas ela mostra também que seu olho não é apenas frio e objetivo.  Os humildes objetos de sua natureza-morta são observados com uma dedicada paixão, e o pintor se esforça para transformar sua tela num objeto de grande beleza.

Por que este pano azul se eleva no ar? De que maneira ele sustenta duas frutas? Apoiada na parede do estúdio está outra natureza-morta, na qual o mesmo pano cobre uma mesa com frutas. Cézanne nos apresenta um quadro dentro do quadro e confunde os limites; não sabemos onde um termina e o outro começa. O artista sugere assim que toda arte é uma ilusão.

O lado esquerdo do quadro é dominado por outro quadro de Cézanne, “Natureza-Morta com Garrafa de Menta”. Na parte do quadro que se vê aqui, distinguimos duas maçãs e um copo sobre um pano azul. A longa faixa marrom-avermelhada que desaparece atrás da cabeça do Cupido é parte da parede. Sua presença ajuda a criar a distorção de perspectiva que dá este quadro seu aspecto abstrato peculiar.

As sombras dos objetos caem em diferentes direções, o que é uma incoerência se considerarmos que há uma fonte de luz fixa. Porém Cézanne pintava durante um longo período, e as sombras eram diferentes nos vários momentos do dia.

As frutas sobre a mesa têm vários contornos, cada um bem marcado e diferente do outro. Eles mostram o cuidado com que Cézanne registrava as suas percepções e testemunho que ele nunca apagava um traço depois de fazê-lo.

Que frutas e legumes estão no prato e na mesa? Maçãs? Peras? Pêssegos? Cebolas? E qual é qual? Cézanne não está interessado em pintar a ilusão de uma fruta real. Ele pinta o que vê, e o que ele vê são formas, cores e as relações entre os objetos.

A paleta de Cézanne é muito restrita – uma mistura harmoniosa de verde-terra, azuis e vermelhos. Cézanne usava pinceladas curtas e precisas, e mudava a direção delas conforme o que estava pintando. Isto dá à superfície de seus quadros uma sensação de vida e ação. Há também uma estrutura quadriculada sob a composição – não seguida com rigidez -, mas firma o bastante para dar coerência à composição e definir as diferentes áreas.

Por que o chão do estúdio parece inclinar-se para cima de uma maneira tão curiosa? Cézanne rejeitou a perspectiva da Renascença e de toda a arte posterior. À esquerda do Cupido de gesso, o pintor está olhando fixamente e diretamente a parede do estúdio. Essas mudanças de posição e ponto de vista podem dar às suas obras uma aparência desconjuntada, mas isso só ocorre se considerarmos que um quadro deve ter uma perspectiva fixa e lógica.

Esse Cupido de gesso parece retorcido na base. É porque Cézanne olhou para ele em muitas ocasiões e de ângulos diferentes, enquanto circulava ao seu redor. Pintando o que via em cada ocasião e construindo a figura aos poucos, ele nos mostra mais do que poderia ser visto de uma única posição. Ele influenciou praticamente todos os pintores do século 20, principalmente aqueles dedicados ao Cubismo.

Natureza-Morta com Molde de Gesso, 1894, óleo em papel sobre madeira, 70 x 57 cm, Paul Cézanne, Courtauld Institute Galleries, Londres.

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