O Batismo de Cristo, Piero della Francesca

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O Batismo de Cristo, Piero della Francesca

Este quadro de Piero della Francesca mostra um dos rituais centrais da fé cristã. O batismo é um ato de purificação e renascimento; além de ser a ocasião formal em que se recebe o nome, significa que a pessoa batizada é recebida na Igreja.

Piero era um matemático cujo gênio deu uma imensa contribuição ao início da Renascença italiana. Aqui ele apresenta um fato solene, o momento do batismo de Cristo, como um instante de imobilidade silenciosa, por meio de uma pintura que mostra toda austeridade, o equilíbrio e a perfeição de um teorema de geometria ou de uma equação matemática.

A meticulosa atenção de Piero para os detalhes aparece aqui em seu cuidado com detalhes incidentais, como as folhas nas árvores e o reflexo das montanhas na água. Piero fazia observações precisas diretamente da natureza e as incorporava em seu trabalho.

A pintura mostra o momento preciso do batismo. São João unge a cabeça de Cristo com água de uma vasilha; e ao fazer isto o Espírito Santo desce do céu, na forma tradicional de uma pomba. A formação horizontal das nuvens repete a forma da pomba.

Tradicionalmente, os anjos aparecerem nas cenas de batismo segurando os trajes de Cristo. Aqui, a informalidade dos anjos, a maneira como um repousa a mão no ombro do outro, humaniza sua aparência estatuesca. O anjo da direita nos olha atentamente nos olhos, convidando-nos para participar deste evento sagrado. No anjo da esquerda, a coloração resplandescente das asas contrabalança com as cores fortes das roupas dos prelados, refletidas no rio Jordão.

Os anjos, com diferentes tipos de cabelo, três cores e três poses, reforçam simbolicamente a presença da Santíssima Trindade. A doutrina da Trindade foi alvo de vigorosos debates na época de Piero; ela afirma a unidade das três pessoas de Deus – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – em uma só entidade. O batismo de Cristo por São João no rio Jordão foi uma das raras manifestações das três pessoas da Divindade mencionadas nos Evangelhos.

Esta pintura era um retábulo da Capela de São João Batista na cidade natal de Piero, Sansepolcro, no norte da Itália, que se entrevê ao fundo. O artista deliberadamente transferiu a cena do batismo da Palestina para a Itália, a fim de dar à história um significado mais imediato para o povo de Sansepolcro. Este efeito aumenta ainda mais pela colocação dos personagens principais logo em primeiro plano.

O rio aparece serpenteando rumo a distância. Tal como outros artistas da sua época, Piero tinha dificuldade de resolver todos os plano da paisagem. Ele domina bom o primeiro plano e o plano do fundo, mas não consegue uni-los por meio de um plano médio. As curvas do rio fazem esta união com algum sucesso; mas Piero evitou o problema com inteligência, agrupando as figuras de modo que escondam quase todo o plano médio.

A composição baseia-se num quadrado e num círculo. O quadrado representa a terra, o círculo simboliza o céu. O batismo foi o momento em que o espírito de Deus entrou no corpo terreno de seu filho Jesus Cristo. A figura de Cristo é central na composição do quadro. A linha central passa pelas suas mãos unidas, ao longo da água que escorre da vasilha, atravessa a pomba e segue até o topo do arco, no alto do painel.

São João Batista vivia no deserto, batizando todos os que vinham até o rio Jordão. Ele foi o precursor ou mensageiro de Cristo. Em geral, é mostrado como uma figura em desalinho, com uma túnica feita de peles de animais.

As plantinhas novas em primeiro plano simbolizam o renascimento, conceito central no ritual do batismo.

O Batismo de Cristo, c.1445, têmpera sobre madeira, 167 x 116 cm, Piero della Francesca, National Gallery, Londres.

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