Quarto do Artista em Arles, Van Gogh

História das Artes > Olho-vivo > Análise Estética > Obras Analisadas > Quarto do Artista em Arles, Van Gogh
Quarto do Artista em Arles, Van Gogh

Os quadros de Van Gogh estão entre as imagens mais conhecidas da atualidade. Suas reproduções são vendidas ao milhões e alguns de seus quadros já foram vendidos por dezenas de milhões de dólares.

É notório o contraste entre esse sucesso póstumo e o fracasso e a rejeição que o artista experimentou em vida. Van Gogh pintou três versões desse quadro. A primeira em outubro de 1888, quando estava esperando o amigo, o pintor Paul Gauguin (1848-1903), que viria vê-lo em Arles, no sul da França. Esta é a terceira versão, que Van Gogh pintou para sua mãe em 1889, enquanto se recuperava de um colapso nervoso num asilo para doentes mentais em Saint Rémy. As três versões têm pequenas diferenças de cores e detalhes. Dez meses depois de pintar este quadro, Van Gogh suicidou-se.

Diversos objetos do quarto estão aos pares: duas cadeiras, dois travesseiros, duas jarras de água e duas garrafas. Van Gogh pintou a primeira versão desta cena quando aguardava a chegada de Gauguin, e podemos entender esse emparelhamento como seu anseio, nunca realizado, por companhia e amizade.

A cadeira do quarto de Van Gogh era feita de simples madeira branca. Ele pintou de amarelo por motivos simbólicos, já que o amarelo é a cor da luz solar, do calor e da felicidade. Embora costumasse copiar diretamente a natureza, Van Gogh constantemente transpunha ou intensificava as cores.

A tinta grossa aplicada na pintura faz com que cada pincelada fique bem visível. Van Gogh usava as tintas diretamente do tubo e pintava com rapidez, às vezes completando um quadro num único dia. Seu consumo de tinta, em especial o amarelo, era muito grande – razão de seus contantes pedidos a seu irmão The para mandar-lhe mais material de Paris.

Uma característica do estilo de Van Gogh é o contorno escuro dos objetos, que ele preenche com pintura grossa de cores chapadas.

Van Gogh tinha consciência do impacto emocional da cor: “Em vez de tentar reproduzir exatamente o que vejo diante dos olhos, uso a cor mais arbitrariamente, afim de expressar-me com mais força”. O vermelho vivo da coberta na cama anima e eleva o clima do quadro (cubra-a com a mão e veja como o quadro muda).

A cama foi comprada por Van Gogh com dinheiro emprestado por Theo. É significativo que ele tenha escolhido uma cama rústica de camponês e não uma cama de metal, que na época estava mais em moda. Vincent planejava decorar a cama com a pintura de uma criança num berço, mas nunca realizou esse desejo. Levou a cama quando mudou-se para Auvers e foi nesta cama que morreu.

Van Gogh também foi influenciado pelas gravuras japonesas em madeira, que agora estavam disponíveis no Ocidente. Admirava o desenho simplificado, as áreas coloridas planas, as perspectivas íngremes e a supressão das sombras. Todas essas características são encontradas em seu trabalho, e a influência dessas gravuras é um importante motivo para o atual sucesso da obra de Van Gogh no Japão. Ele retratou uma dessas gravuras na parede ao fundo.

A janela se abre para dentro implicando acesso ao mundo exterior, mas é significativo que dela não se veja nada – é como se fosse uma veneziana – isto faz o quarto parecer isolado, lembrando o ventre materno. O espaço vazio em frente à cama evita que o quadro se torne demasiadamente claustrofóbico.

Esse quadro pertence ao acervo do Museu d’Orsay em Paris.

Quarto do Artista em Arles, 1889, 57,5 x 74 cm, Vincent van Gogh, óleo sobre tela, Museu d’Orsay, Paris.

Mão a obraAgora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Van Gogh, experimente desenhar e pintar seu quarto, colocando todos os detalhes, usando o material colorido que você mais gostar.

Fotografe seu trabalho e compartilhe sua experiência conosco, nas nossas redes sociais, usando a #historiadasartestalento

PESSOAS QUE LERAM ISSO, TAMBÉM GOSTARAM....

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *