A Jangada da Medusa, Théodore Géricault

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A Jangada da Medusa, Théodore Géricault

Este quadro de Géricault foi pioneiro ao trazer a arte para a polêmica área do protesto político. Ele representa, em escala heroica, o momento em que os sobreviventes de um navio naufragado vêem as velas da nave que irá salvá-los. Esses tripulantes haviam sido abandonados por seu capitão, e sua história escandalizou a nação francesa.

O fato foi visto por uma metáfora da corrupção na França após a queda de Napoleão. Do ponto de vista artístico, o quadro proporciona uma interessante comparação com o quadro O Juramento dos Horácios, de David, de dimensões semelhantes; as duas obras estão expostas lado a lado no Museu do Louvre. A arte de David incentiva o serviço ao Estado; aqui, a arte castiga o Estado por abandonar os que o servem.

A vela repete a forma da grande onda atrás, dando-lhe assim mais força e poder. A vela enfunada e a violência do mar acentuam a força destruidora da natureza Para estudar o movimento do mar, o artista fez uma viagem ao litoral da Normandia. As nuvens de tempestade se rompem com a luz, símbolo da esperança.

Nem mesmo a perspectiva do salvamento consola o homem sentado que segura seu filho morto. Para buscar autenticidade, Géricault visitou um hospital local, o Hospital Beaujon, para fazer estudos detalhados dos doentes e moribundos. Chegou até a levar uma cabeça decepada e pedaços de corpos do necrotério para o seu estúdio.

Géricault mandou fazer em seu estúdio uma reconstrução em tamanho natural dessa jangada, assim como figuras de cera para colocar sobre ela.

No canto inferior direito há a figura de um machado sangrento. É a única referência ao horrendo canibalismo descrito pelos sobreviventes.

À direita vê-se, abandonado, o uniforme de um soldado francês, metáfora do colapso político e militar da França.

Géricault organiza a composição em duas pirâmides. A primeira é traçada pelas cordas que sustentam a vela. A segunda já foi chamada de “pirâmide da esperança”: as figuras embaixo estão mortas, e a pirâmide sob pelos doentes e moribundos até a figura do alto, que encontra renovada energia na perspectiva do salvamento. Traça-se assim uma progressão desde o abismo do desespero até o ápice da esperança.

Assim como os sobrevivente, precisamos procurar muito para encontrar o navio que por fim os salvou. O Argus era um navio irmão do Medusa, e Géricault o mostra como uma pequenina mancha no horizonte desta enorme tela. O tamanho diminuto do navio serve para realçar  momento dramático captado na tela. Ainda é possível que o navio se desvie sem avistá-los, como já ocorrera uma vez na realidade, destruindo assim todas as esperanças.

Este quadro é um fascinante casamento de artifício e realidade. Os ocupantes da jangada não são os pobres seres emaciados que na realidade sobreviveram, e devem muito aos estudos de Géricault sobre os musculosos nus de Michelangelo, cheios de vigor. Ele estabelece uma verde poética, e não fotográfica.

A história por trás do quadro

No verão de 1816, uma fragata francesa, Medusa, naufragou na costa da África, quando levava soldados e colonos para o Senegal, então colônia francesa. O incompetente capitão era um aristocrata que obtivera sua posição por meio de influências políticas. Quando o navio afundou, ele entrou num dos poucos botes salva-vidas, deixando os passageiros, que considerava seus inferiores sociais, abandonados à própria sorte. Os 149 homens (e uma mulher) construíram uma jangada improvisada e ficaram à deriva no mar por treze dias. Apenas quinze sobreviveram nessas terríveis circunstâncias, e relataram-se casos de canibalismo e loucura. Outros cinco morreram após chegarem em terra.

A Jangada da Medusa, 1819, óleo sobre tela, 491 x 716 cm, Théodore Géricault, Museu do Louvre.

Agora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Théodore Géricault, experimente fazer uma releitura dele ou crie uma composição que relate um fato dramático, usando o material colorido que você mais gostar.

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