Autorretrato, Francisco de Goya

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Autorretrato, Francisco de Goya

Goya retrata-se nesta tela em 1815, aos sessenta e nove anos, quando as vicissitudes o puseram à prova: surdo há vários anos, vivera a invasão napoleônica, a longa Guerra da Independência começada em 1808 e terminada em 1814 e a restauração de Fernando VII ao trono espanhol, com a abolição do regime liberal instaurado durante a guarra e as consequentes repressões; e está viúvo há três anos.

A sua expressão é amarga e desiludida; o aspecto, descuidado, capta o caráter da intimidade próprio de uma confissão pessoal.

É um dos autorretrato mais intensos e comoventes que alguma vez um pintor terá feito. Goya remexe o seu interior para se achar a si mesmo, com todo o peso e as dificuldades de um momento de desencanto e de grave crise.

Na substancial redução a poucas e essenciais tonalidades de brancos, negros e castanhos e na sua aparência concentrada, este autorretrato, de presente inquietude, mostra a simpatia do artista por Rembrandt, autor de numerosos autorretratos, que nos restituem a sua imagem ao longo dos anos.

A visão melancólica e sem indulgência dos traços do seu rosto é realizada no momento, em trabalho veloz e improvisado para plasmar na tela um estado de espírito de meditação e de crise interior.

Os olhos de Goya cravam-se em nós como numa interrogação angustiada e sem resposta.

O colarinho aberto da camisa deixa entrever apelo, marcada pela sombra do queixo. Tudo se define com os tons monocromáticos dos grandes e apreciados mestres: Ticiano, Velázquez e Rembrandt.

Autorretrato, 1815, têmpera e ouro sobre madeira, 54,5 x 42 x 0,7 cm, Francisco de Goya, Museu do Prado, Madri.

Agora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Goya, experimente fazer uma releitura dele ou criar seu autorretrato, usando o material que você mais gostar.

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