Vênus ao Espelho, Velázquez

Vênus ao Espelho, Velázquez

Consideradas obscenas, as pinturas de nus eram raras na arte espanhola do século 17. Esta é a única tela remanescente de Velázquez de um nu feminino, mas sabe-se que ele pintou outras, hoje desaparecidas.

Documentos de 1651 registram essa tela como pertencente a um nobre espanhol, Dom Gaspar Méndez de Haro. Talvez Velázquez a tenha pintado pouco antes de partir para sua segunda visita à Itália, em 1648.

O tema da Vênus ao Espelho assistida pelo Cúpido foi popularizado por Ticiano. A marcante influência veneziana sobre a tela de Velázquez levou alguns críticos a supor que ela fora pintada na Itália e transportada de volta à Espanha.

Com este nu palpitante, ele presta uma grande homenagem a Ticiano, à liberdade rica e carnosa da cor, à plenitude tátil da pincelada. A intensa carnalidade, a palidez das carnações e a luz vibrante e uniforme são sublinhadas pela sucessão de linhas curvas: o tecido negro argênteo sobre o branco luminoso do lençol, o sinuoso arquejar da anatomia da mulher e, por fim, a cortina apenas semiaberta.

No século 18 o quadro esteve sob o poder da Duquesa de Alba, amiga de Goya, que talvez tenha se inspirado em Velázquez para pintar sua Maja Desnuda um século mais tarde.

Em 1914, uma sufragista golpeou violentamente a Vênus ao Espelho já exposta na Galeria Nacional de Londres. A tela recebeu uma excelente restauração, embora marcas do ataque sejam ainda visíveis num exame acurado.

Uma mão cruzada sobre a outra e num dos pulsos uma fita que não é utilizada para pendurar o espelho mas para simbolizar a ligação entra Vênus e o Amor, prisioneiro voluntário da beleza fatal d adeusa. As feições de Vênus poderiam ser as de Flaminia Triva, amante de Velázquez e, também pintora ou Damiana, uma atriz.

O rosto refletido no espelho polido mostra o estudo cuidadoso e analítico da luz, parecido com o dos mestres nórdicos. A imagem desfocada no espelho, em segundo plano, cria uma relação entre a deusa e o espectador, a quem ela parece devolver o olhar. A originalidade desse invenção evoca o artifício que aparece no posterior retrato de grupo As Meninas, conservado no Museu do Prado.

Nas pinturas de Velázquez sempre sobressai o fascínio pelo caráter do personagem. Por vezes, eu desejo de captar uma expressão fugaz leva o artista a pintar rostos de uma forma bastante livre e solta, de modo que parecem desfocados.

As telas de Velázquez eram pouco conhecidas fora da Espanha até o período imediatamente posterior às guerras napoleônicas, em virtude do país estar isolado do resto da Europa. A partir do início do século 19, no entanto, a sutileza e a liberdade técnica, bem como o universo poético um tanto misterioso de sua obra, fizeram um grande dele mito e herói de pintores impressionistas como Manet, por exemplo, abrindo assim cainho para a arte moderna.

Vênus ao Espelho, c. 1648, 122 cm x 177 cm, Diego Velázquez, National Gallery, Londres.

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