John Singer Sargent

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John Singer Sargent
   

O norte-americano Fitzwilliam Sargent, médico que exercia a profissão na Pensilvânia, onde em 1850, casou-se com Mary Newbold Singer, filha de um rico comerciante de peles.

O temperamento inquieto e romântico da sra. Sargent não se adaptava às limitações da vida provinciana dos Estados Unidos da época, e quando o primogênito do casal morreu em 1853, a saúde de Mary de debilitou e o casal decidiu ir para a Europa em viagem de recuperação. O que se iniciou como projeto temporário viria a se tornar um modo de vida, pois os Sargent acabaram se fixando no outro continente.

Fora de sua pátria, levaram uma existência itinerante. Em janeiro de 1856, em Florença, nasceu o segundo filho do casal, John Singer Sargent. Logo viriam à luz mais duas filhas, Emily e Violet. John e suas irmãs tiveram uma infância nada convencional. A falta de raízes levou-os a tornarem-se emocionalmente independentes desde cedo.

Essa rotina de viagens facilitou a Sargent a aquisição de uma cultura mais abrangente, pois tinha recebido uma educação formal pouco regular. Cresceu com um domínio fluente do italiano, falava francês e um pouco do alemão, tinha bom conhecimento da literatura europeia, era excelente pianista e músico apaixonado.

Desenho documental

Sargent começou a desenhar como forma de documentar os passeios que ocupavam tanto o tempo da família. A mãe, ela própria uma aquarelista, estimulava-o a desenhar as cenas de viagens, e os cadernos desse período continham desenhos de plantas e aves, esboços arquitetônicos e cópias do velhos mestres.

O dr. Sargent tinha esperanças de que o filho viesse a seguir a carreira naval, mas logo ficou claro que o jovem estava determinado a tornar-se pintor. Recebera alguma instrução na Itália, mas Paris lhe ofereceu um estudo mais estruturado e melhores oportunidades. Escolheu o ateliê de Carolus-Duran, retratista e professor de renome, que era adepto de pintura realista. Sargent vivia a vida de um estudante de arte e tinha muitos conhecidos, mas poucos amigos íntimos.

Em 1876, Sargent cruzou o Atlântico pela primeira vez, visitando os Estados Unidos com a mãe e a irmã Emily. Embora cosmopolita por criação e mergulhado na cultura europeia, apegava-se à sua cidadania norte-americana.

Nas férias de verão, juntava-se a um grupo de colegas para desenhar e pintar no campo. Em Cancale, na Bretanha, fez esboços ao ar livre para um quadro que impulsionaria sua carreira Catadores de Ostras em Cancale (1877). Foi seu primeiro êxito. Valeu-lhe uma menção honrosa no Salão de Paris de 1878 e refletia o interesse do artista pelos impressionistas.

Estrela do Ateliê

Sargent passou a ser a estrela do ateliê. Seu mestre, Carous-Duran, pediu que o ajudasse na pintura de um grande painel decorativo para o Louvre. Em meio ao projeto, Sargent fez um retrato de Carolus-Duran, om o qual conquistou outra menção honrosa no Salão de 1879.

Em 1883, aos 27 anos, mudou-se para um estúdio mais elegante no Boulevard Berthier e pintou um retrato da sra. Henry White, esposa do primeiro secretário da embaixada dos Estados Unidos em Londres.

Com o escândalo do seu quadro Madame X exposto no Salão de 1864, sua carreira como retratista fica restrita em Paris. Por influência do escritor Henry James, ele passa a frequentar Londres. Sargent já tinha estado na Inglaterra em 1884, época em que pintou uma série de quadros da família Vickers, incluindo diversos interiores primorosamente iluminados.

No ano seguinte, voltava à Inglaterra  e, juntamente com seu colega, o artista Edwin Austin Abbey, fez uma viagem de barco pelo Tâmisa, indo de Oxford a Windsor. Foram até Broadway em Costwolds e hospedaram-se na Farnham House, casa do ilustrador Frank Millet, onde a atmosfera era acolhedora e a companhia estimulante.

Ainda em 1885, o rompimento com Paris se consumou, e Sargent mudou-se para o velho estúdio de Whistler na Tite Street, em Londres. Em 1886 viajava aos Estados Unidos, a convite do colecionador de arte Henry Marquand, que queria um retrato da esposa. A América o recebeu de braços abertos: uma exposição individual no St. Botolph Club em Boston foi saudada com entusiasmo; tinha muitas encomendas de retratos; e começaram os debates sobre o projeto de murais para a Biblioteca Pública de Boston.

Na década de 1890, os Estados Unidos e a Inglaterra veriam Sargent no auge da fama. O quadro Lady Agnew, tela exposta na Academia Real em 1893, foi saudada como uma obra-prima.

Retratista da Sociedade

Por volta do final da década de 1890, quando Sargent já era reconhecido como o maior retratista de seu tempo. Recebeu muitas encomendas, mas seu entusiasmo estava em outro lugar: Boston.

Os murais de Boston ocuparam-no por um período que se estendeu de 1890, aproximadamente até 1921 envolvendo o artista em intenso trabalho na Inglaterra e em Boston. O trabalho também o obrigava a deslocar-se inúmeras vezes para pesquisar no Egito, Grécia, Itália e Terra Santa. Mas, apesar da sua dedicação e esforço, os murais foram criticados por carecerem de paixão e terem pouca inovação.

Sargent por essa época gozava de uma situação financeira estável, mas a pintura de retratos já o estava cansando. Por volta de 1907, recusava praticamente todas as encomendas. Sua única concessão era o esboço a carvão, que podia desenha rapidamente.

Férias nos Alpes

Nos verões ele passava três ou quatro meses viajando, desenhando ou pintando aquarelas com suas irmãs e velhos colegas de ofício. Costumavam ir para os Alpes, descendo para a Itália ou para Espanha no outono.

Sua situação familiar aos poucos foi se alterando. Seu pai morrera em 1889, Violet se casou em 1891, mas foi a morte da mãe, em 1905, que teve reflexos mais profundos em seu espírito. Emily ficou sozinha e se apoiava cada vez mais o irmão que, por sua vez também tinha nela um ponto de referência. Emily era sua confidente e só ela o conhecia integralmente. Foi a única mulher com quem se comprometeu, apesar da vida afetiva tranquila ter sido pontuada por especulações sobre casamento.

No início da década de 1880, houve fortes rumores acerca de um noivado com Louise Burckhardt, a modelo para o quadro Dama com Rosa. Anos mais tarde, cresceram boatos em torno de sua amizade com a sra. Gardner e a sra. Charles Hunter, generosa e incansável anfitriã e colecionadora de arte. Juntamente com Emily, era a pessoa mais próxima do artista.

A Primeira Guerra Mundial levou Sargent à França como artista oficial da guerra. Demonstrou extraordinária coragem sob fogo cruzado, permanecendo emocionalmente alheio à carnificina. Sua obsessão em ver com olhos de pintor protegia-o de todo o impacto.

Sargent continuou trabalhando nos murais de Boston. Em abril de 1925 reservou uma passagem para os Estados Unidos a fim de acompanhar os últimos painéis. Emily organizou um jantar de despedida, convidando Violet e muitos de seus amigos próximos. Foi um dia feliz e descontraído. Na manhã seguinte, Sargent foi encontrado morto em sua cama, com um volume do Dicionário Filosófico de Voltaire aberto à sua frente. Tinha sofrido um ataque cardíaco. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Brookwood, em Surrey, Inglaterra. Tinha 69 anos.

COMO CITAR:

Para citar esta página do História das Artes como fonte de sua pesquisa utilize o texto abaixo:

IMBROISI, Margaret; MARTINS, Simone. John Singer Sargent. História das Artes, 2021. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/john-singer-sargent/>. Acesso em 18 Jun 2021.

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