Angelus Novus, Paul Klee

Angelus Novus, Paul Klee

Em seus mundos imagéticos, representados em múltiplas camadas, Paul Klee combinava diversas esferas de realidade e abstração. Dessa maneira, ele ampliava o seu imaginário, abrigando também os mais diferentes tipos de criaturas. Desde 1920, o tem anjo – com figuras celestes aladas, de formas antropomórficas – apareceu repetidas vezes em sua obra. O anjo mais famoso é Angelus Novus, de 1920, adquirido pelo filósofo Walter Benjamin, que o descreveu como o ” anjo da história”, que olha assustado para a catástrofe do passado.

Nas palavras de Walter Benjamin a obra “Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impede irreversivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso.”

Como Benjamin tinha descendência judaica, a acensão do nazismo na Alemanha obriga-o a exilar-se na França em 1933, afastando-se da obra. Dois anos mais tarde uma amiga a leva para Paris, onde permaneceu com Benjamim até o momento de sua tentativa de fuga para a Espanha, em junho de 1940. Ao ser detido em setembro desse mesmo ano, Benjamin comete o suicídio.

Antes de deixar a capital francesa, Benjamin teve o cuidado de retirar o desenho da moldura e colocá-lo numa valise junto aos escritos que gostaria que fossem salvos  da catástrofe eminente. Seus textos e a obra de Klee ficaram aos cuidados do escritor e filósofo Georges Bataille, então funcionário da Bibliotèque Nationale que, escondeu o material até o fim da Segunda Guerra Mundial.

Posteriormente, o anjo foi enviado ao filósofo alemão Theodor W. Adorno, então exilado nos Estados Unidos, e este retornaria à Europa em 1949. Após anos de disputa entre Stefan Benjamin, filho único e herdeiro legal de Benjamin, e G. Scholem, um notável estudioso do misticismo judaico e grande amigo do filósofo, Angelus Novus chega em Jerusalém em 1972. Enfim, o “mensageiro da Cabala”, como Benjamin o chamou algumas vezes, encontrou seu destino final como parte do acervo do Museu de Israel.

Angelus Novus, 1920, tinta nanquim e tinta à óleo sobre papel, 31,8 x 24,2 cm, Paul Klee, Museu de Israel.

Agora que você sabe mais detalhes sobre essa obra de Paul Klee, experimente fazer uma releitura dele ou crie anjo ou uma forma alada enigmática, o material colorido que você mais gostar.

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