Claudio Pastro e a Arte Sacra

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Claudio Pastro e a Arte Sacra

Claudio Pastro nasceu em 16 de outubro de 1948, na cidade de São Paulo. Seus avós maternos eram espanhóis. O avô paterno nasceu na região do Veneto, província de Treviso, Itália. Foi dele que herdou o sobrenome Pastro. A avó paterna, Geneviéve de Grand, era da Provença francesa.

Apesar de a família ser de fé católica, não foi o que mais o influenciou em questões religiosas.

Suas raízes se encontram no monaquismo beneditino, que entrou na sua vida pela convivência com as Irmãzinhas de Assunção, cujo convento ficava bem em frente a casa em que a família morava na Alameda Lorena, São Paulo

Desde 1975 Pastro se dedicou à arte sacra, tendo cursado teoria e técnicas de arte na Abbaye Notre Dame de Tournay (França), no Museu de Arte Sacra da Catalunha (Espanha), na Academia de Belas Artes Lorenzo de Viterbo (Itália), na Abadia Beneditina de Tepeyac (México) e no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Realizou pinturas, vitrais, azulejos, altares, cruzes, vasos sagrados e esculturas para presbitérios, capelas, igrejas, mosteiros e catedrais, não apenas no Brasil, como também na Argentina, Bélgica, Itália, Alemanha, Portugal.

Ilustrou os seguintes livros: Os diálogos de São Gregório Magno (Alemanha), Vida de Santo Antônio (Itália), Músicas natalinas para crianças (Itália), A Virgem de Guadalupe (Alemanha, Espanha e Brasil), entre outros.

Lecionou cursos de Estética e Arte Sacra em seminários, escolas teológicas, mosteiros, museus e faculdades, e dedicou ao vasto projeto de ambientação da Basílica Nacional de Aparecida.

Um dos seus trabalhos de grande repercussão foi o painel de arte sacra da Catedral Divino Espírito Santo em Jataí, Goiás.

Foi o responsável pela reforma da Sé Catedral de Uberlândia, Minas Gerais, na década de 90, adequando-a às orientações do Concílio Ecumênico Vaticano II, cuja pintura do painel central tem inspiração escatológica no livro da Revelação. Colaborou, ainda, para restauração da obra realizada nos últimos anos.

Foi o artista escolhido pela Santa Sé para conceber a imagem do Cristo Evangelizador do Terceiro Milênio, para as celebrações do Jubileu do ano 2000, obra que se encontra permanentemente exposta no Vaticano.

Pastro é responsável pela concepção artística do Santuário Nacional de Aparecida e por mais de 350 obras no Brasil e no mundo, além de ter atuado na confecção de peças durante as visitas dos Papas Francisco e Bento XVI.

Em 2007, o artista projetou a capela anexa aos aposentos utilizados por Bento XVI durante sua visita a Aparecida.

Pastro é autor de obras como o nicho que abriga a imagem de Nossa Senhora na Basílica Nacional.

Ele também é responsável pelos desenhos no altar central e do mosaico na cúpula central do Santuário.

A arte desenvolvida para a medalha em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem da Santa também é assinada pelo artista.

Uma de suas últimas obras antes do falecimento foi o monumento em homenagem aos 300 anos do encontro da imagem, inaugurado no início de setembro no Vaticano.

Com mais de quatro metros de altura, a peça feita em aço, remonta o encontro, com a imagem dos pescadores e da imagem. O monumento foi inaugurado pelo Papa.

Cláudio Pastro produziu as peças usadas pelo Papa Francisco durante a visita ao Brasil, em 2013, na Jornada Mundial da Juventude. Dos cálices e mobiliário aos trajes das celebrações, tudo foi elaborado pelo artista plástico.

Considerado principal artista sacro do país na atualidade, Cláudio Pastro, de 68 anos, faleceu no dia 19 de outubro de 2016 em São Paulo.

Em livro lançado em 1986 sobre sua obra “C. Pastro Arte Sacra” o artista escreveu uma reflexão sobre seu trabalho:

“Meus traços, minhas cores puras e chapadas são uma continuidade do Texto Sagrado.

Minha linguagem é simbólica e não realista – quero ir além do real e da cópia.

Evitar o renascimento, evitar o subjetivo.

A transfiguração – a luz – a arte é uma oração, uma atenção para o Ministério.

Os artistas do último século (Van Gogh, Gauguin, Cézanne, Matisse, Picasso e tantos outros) estão procurando a luz.

É o essencial que interessa e não o acessório – o despojamento, o simples.

Uma arte cristã deve ser também didática, leitura, como o foi no primeiro milênio.

A arte é convite para entrar no Ministério, no ‘al di lá’ das figuras e das cores. É preciso espaços vazios.

Continuar a partir das fontes, das raízes.

Descobri ao longo do Mediterrâneo a arte românica e a bizantina. Em Israel, Egito e Etiópia, a copta. No Brasil, a indígena, a negra. Temos muito que aprender com os primitivos.

Pertenço à antiga estirpe dos ‘fosssores’ (coveiros) que nas catacumbas tinham a função de preparar a ‘viagem para o além’.

O artista antecipa no papel a revolução que fará na prática.

É preciso contemplar aquilo que somos e não o que estamos vivendo ou nos fazem viver.

Uso os mesmos elementos da criação: barro, a figura, as cores, a luz.

Transfigurar: revelar a figura verdadeira que está atrás da simples figura.

A verdadeira arte sacra é de natureza não sentimental ou psicológica, mas ontológica e cosmológica.

A imagem é a única linguagem universal do homem e do sagrado.

A imagem, pobre matéria, é a linguagem amorosa que o Criador escolheu para se comunicar…

Tira-se o Sagrado e a figura perde o sentido, o Espírito não mais vivifica, tudo se torna permitido, nasce o ídolo.

É preciso, humilde e pacientemente, recomeçar fazendo silêncio, jejum dos olhos, dos ouvidos, da boca.”

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