A Deposição, Rogier van der Weyden

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A Deposição, Rogier van der Weyden

Este retábulo de Rogier van der Weyden é uma obra-prima da pintura flamenga. Os artistas do norte da Europa traziam aos seus trabalhos uma grande intensidade de expressão emocional e uma riqueza de detalhes realistas, dando-lhes assim um caráter e uma aparência bem diferentes das obras italianas.

Aqui vemos o painel central de um retábulo de três partes (tríptico). Os dois painéis laterais se soltaram com o tempo e, infelizmente, hoje estão perdidos.

Muitos retábulos do norte da Europa da época de Van der Weyden eram feitos com figuras entalhadas em madeira colocadas numa espécie de caixa de pouca profundidade. Parece que o artista aceitou esta convenção, mas por meio de novas técnicas e de um novo material, a tinta a óleo, ele deu vida às figuras.

Van der Weyden era um célebre retratista, e a individualidade dos rostos mostra que estas figuras foram copiadas da vida real. As expressões de sofrimento são altamente individuais. O rosto de São João Evangelista, que segura a Virgem desfalecendo, por exemplo, é grave porém contido; ele luta para controlar suas emoções. Antes de morrer, Cristo pediu a São João que cuidasse de sua mãe.

A primeira figura da esquerda, provavelmente representa Maria, esposa do discípulo Cléofas. Supõe-se que ela tenha sido uma das mulheres presentes na Crucifixão de Cristo.

Em seguida, está São João Evangelista que se inclina para confortar Maria, mãe de Cristo. Sua figura se reflete na de Maria Madalena, curvada pelo peso da dor, no lado oposto do quadro. Era comum incluir três ou quatro Marias numa crucifixão, mas não há respaldo bíblico para isso.

Maria, mãe de Cristo, tem a cabeça coberta por um pano branco, a cor da pureza e da inocência. Note a recorrência do branco no esquema das cores, equilibrando com primor e perícia. O manto de Maria é pintado de azul ultramar. Este belo e precioso pigmento era a cor que determinava o preço das pinturas na época de Van der Weyden. É feito de um raro mineral, o lápis-lazúli, que era importado do Afeganistão.

Quem segura o corpo de Cristo é José de Arimateia, um homem rico que obteve permissão para retirar o corpo de Cristo da cruz. Ele o depositou num túmulo antes destinado a ser sua própria sepultura.

O homem que segura os pés de Cristo é Nicodemos. Assim como José de Arimateia, era um seguidor secreto de Cristo. Ele irá enrolar o corpo de Cristo no pano de linho que ambos seguram.

O tom marmóreo do corpo de Cristo morto contrasta com o branco dos panos. A figura de Cristo é trágica, porém bela: os finos fios de sangue que escorrem de suas cinco feridas, a coroa de espinhos de cor clara, são de certa forma adornos para seu corpo, que não tem outras máculas.

Há fortes toques de vermelho vivo, por exemplo nas mangas de Maria Madalena e no manto de São João. Além de seu valor simbólico como cor da paixão de Cristo, esses vermelhos conduzem os olhos pela pintura e são um reforço visual das feridas de Cristo.

Em todo o quadro o artista emprega a repetição para reforçar o impacto visual. Em especial, a pose da Virgem repete a de Cristo morto (as mãos da Virgem repetem a posição das mãos de Cristo). Enquanto Cristo sofreu uma extrema dor física, sua mãe sofre uma extrema agonia emocional.

Van der Weyden aumenta a tensão forçando os olhos e a mente a reconciliar qualidades conflitantes. Muitos detalhes do quadro são de um realismo intenso, como os olhos com bordas vermelhas e lágrimas escorrendo pelos rostos. Esse realismo contrasta com uma composição pouco naturalista, em que as figuras, quase em tamanho natural, se amontoam nm espaço estreito, aos pés de um pequenino crucifixo O fundo, que parece um túmulo, concentra a atenção do observador nas figuras e evita as distrações de um ambiente real.

A Deposição, 1435-40, óleo sobre madeira, 220 x 262 cm, Rogier van der Weyden, Museu do Prado, Madri.

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