A Aula de Dança, Edgar Degas

A Aula de Dança, Edgar Degas

Degas era fascinado pelo balé, e mais da metade de seus trabalhos são dedicados a esse tema. Embora também pintasse bailarinas no palco, ele preferia as cenas mais informais com as dançarinas ensaiando ou relaxando.

Há paralelos entre o balé clássico e o estilo e as técnicas de pintura de Degas que ajudam a explicar o interesse do artista. O balé clássico é uma arte de grande precisão e equilíbrio, em qu só se atinge a perfeição pela repetição e prática constante. A obra de Degas também é bastante precisa.

Mesmo quando seus quadros junto som os impressionistas, Degas conseguiu uma comunicação imediata mais por seu tema e senso de composição do que pelas pinceladas espontâneas, típica dos verdadeiros impressionistas.

Exames com raios X mostram que Degas fez muitas mudanças neste quadro. Por exemplo, a ideia original é que houvesse duas bailarinas em primeiro plano, de frente para o observador. Ainda se pode ver o rosto de uma delas (detalhe à esquerda), entre duas dançarinas que estão de costas, que foram pintadas por cima da composição original. Outra mudança: de início o instrutor estava virado para a parede do fundo.

As colunas de mármore escuro que adornam o salão formam fortes linhas verticais e conduzem nosso olhar para o fundo da sala, onde uma moça, sobre uma plataforma, arrua sua gargantilha.

Degas foi o melhor desenhista da sua geração, e seu interesse e talento para o desenho foi comparado ao de seu grande compatriota Watteau. É espantosa a precisão com que o artista observou a moça sentada sobre o piano, coçando as costas, e a maneira como definiu as formas e movimentos com linhas seguras e exatas. Essa maestria segue por todo o quadro.

Degas assinou seu nome, com uma precisão típica da sua arte, no regador verde no canto inferior esquerdo. O regador era usado para molhar o assolho, quando ficava empoeirado.

No centro do quando está Jules Perrot, famoso bailarino que com sua parceira Maria Taglioni, foi na juventude uma estrela do balé de Paris. Ele parece falar com a dançarina emoldurada pelo batente da porta, ou fazer um comentário sobre ela. O professor é o eixo central de toda a atividade da sala, mesmo não conseguindo atrair a atenção de todos os presentes.

O contraste entre o espaço vazio, embaixo à direita, e as figuras agrupadas em outro lugar da tela é um recurso muito explorado por Degas. É típica do artista a forte composição diagonal, aqui bem marcada pelas linhas nítidas das tábuas do assoalho, e que atrai nosso olhar para o fundo do quadro.

Este quadro foi exposto em Londres em 1876, quando foi adquirido pelo capitã Henry Hill, de Brighton. Mais tarde, em 1889, foi vendido num leilão da casa Christie’s e comprado pelo irmão de Van Gogh, Theo, que trabalhava para os Goupil, comerciantes de arte de Paris. Em 1911, o quadro foi doado ao acervo estatal francês pelo conde Isaac de Camoundo. Hoje, pertence ao acervo do Museu d’Orsay, em Paris.

Apesar da sensação de estarmos junto com Degas no canto da tela desta sala, as dançarinas mais próximas estão de costas para nós, e ninguém procura atrair nosso olhar nem reconhece nossa presença. Esta sensação de estar presente, mas ser ignorado, acrescenta tensão e emoção à obra. Degas era um homem solitário, recluso, e a atmosfera de seus trabalhos revela alguém que observa com grande interesse e exatidão o que os outros estão fazendo, mas sem nunca tomar parte na ação.

A qualidade “fotográfica” do trabalho de Degas é foi muito comentada. A perspectiva que recua rapidamente, fazendo com que as duas bailarinas mais próximas pareçam estar sendo puxadas para a frente e o grupo a distância empurrado para trás, é um efeito criado por certas lentes de câmeras fotográficas, e não pela percepção humana comum. A maneira como as figuras são cortadas nas bordas do quadro também é típica da fotografia. Essa técnica cria uma sensação de improviso que parece desmentir o talento do artista para os detalhes e o meticuloso planejamento de suas composições.

A Aula de Dança, c.1873-75, 85 x 75 cm, óleo sobre tela, Museu d’Orsay, Paris.

Mão a obraAgora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Edgar Degas, experimente fazer uma composição sobre dança, usando o esquema fotográfico de Degas e o material colorido que você mais gostar.

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