O Pífaro, Édouard Manet

O Pífaro, Édouard Manet

Essa obra é certamente uma das obras mais significativas do mestre da primeira geração dos impressionistas; e talvez um dos menos fáceis de se compreender plenamente na validade de suas descobertas cromáticas e luministas; pois Manet, atrás de uma aparência superficial de feliz e, às vezes, de um reflexo imediato da realidade habitual, que ele traduz quase em fábula moderna, esconde um intenso, prolongado trabalho secreto que imerge solidamente as raízes na tradição do passado, que se nutre da convivência com os estudos dos  antigos mestres, como Ticiano, Veronese, Tintoretto, Rembrandt, até Velázquez e Goya, que se acende, por fim, ao contato das correntes culturais contemporâneas, para ele mais próximas e inatas: Delacroix, Baudelaire, Zola, além de, naturalmente, os amigos pintores, em particular Monet e Degas.

Não é por acaso que exatamente em 1863, o ano da morte do velho mestre Delacroix, Manet assina o seu “escandaloso” Almoço na Relva, que será estudado e retomado pelos artistas mais jovens, entre os quais Cézanne.

“Numa figura, procure a grande luz e a grande sombra; o resto virá naturalmente: é frequentemente bem pouca coisa”, era habitual ouvir de Manet durante o período de 1860 a 1870, no qual andava delineando com grande clareza a imposição do seu método de pesquisa pictórica: é o período compreendido entre seus quadros Guitarrista (exposto com sucesso no Salão de 1861), pintura agradável, de cor viva, exótico na escolha do assunto: um espanhol de terno que toca uma guitarra, e Olympia (que causou escândalo no Salão de 1865): nu realista inspirado em Goya, penetrante até a impetuosidade.

Na obra que tratamos aqui, o rapaz que toca o pífaro aparece com atitude simples, de cor pura, jogado em predominância sobre o róseo e o preto com toques vivos de branco, esse retrato tem o imediatismo alegre de uma personagem de Velázquez, o olhar atento e cúmplice de Olympia.

Nessa pintura, a solução do fundo em tons neutros põe em evidência os contornos bem marcados, o contraste cromático da composição cria uma nova concepção da perspectiva, confiada não mais aos valores plásticos do claro-escuro, mas à relação entre os tons.Inicia exatamente nesse ponto aquela evolução lenta mas irreprimível nas relações composição-cor que conduzirá às sucessivas experiências de Gauguin, Matisse, os fauvistas.

Manet utilizou como modelo um componente da Guarda Imperial, tocador de pífaro. O rosto do menino, no entanto, teria sido baseado nas feições de Léon, filho do artista. Aqui, a clareza da forma reflete nitidamente a admiração de Manet por Velázquez.

O Pífaro, 1866, óleo sobre tela, 164 x 97 cm, Édouard Manet, Museu d’Orsay, Paris.

pincelAgora que você sabe mais detalhes sobre esse quadro de Manet, experimente fazer uma releitura dele ou criar uma composição de pessoas tocando instrumentos musicais, usando o material colorido que você mais gostar.

quadroFotografe seu trabalho e compartilhe sua experiência conosco, nas nossas redes sociais, usando a #historiadasartestalento

PESSOAS QUE LERAM ISSO, TAMBÉM GOSTARAM....

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *